Dezembro Laranja: Principal causa de câncer de pele é a exposição excessiva ao sol

Redação, 23 de Dezembro, 2019


No mês de dezembro temos o início do verão e o cuidado com a pele deve ser redobrado durante esse período. Por isso, foi criada a Campanha Dezembro Laranja, mês de conscientização e prevenção ao Câncer de Pele, que corresponde a 33% de todos os casos diagnosticados de câncer no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a cada ano, há cerca de 180 mil novos casos. E para alertar a população sobre o assunto, a Onco Hematos traz algumas orientações sobre os riscos e as principais causas da doença, pois os números ainda são alarmantes para uma doença que pode ser prevenida com alguns cuidados simples como, por exemplo, o uso de filtro solar e a exposição controlada ao sol.

Segundo o dermatologista da Onco Hematos, Charles Godoy, o câncer de pele tem relação direta com a exposição excessiva ao sol. “Essa exposição é acumulativa, ou seja, quanto mais a pessoa se expor ao sol sem as devidas precauções, maiores são as chances de desenvolver câncer de pele”, explica.

Tipos de Câncer de Pele

As neoplasias cutâneas mais comuns são o Carcinoma basocelular (CBC), o Carcinoma espinocelular (CEC) e Melanoma. Sendo o CBC o mais prevalente entre eles. “O CBC surge nas células basais, que se encontram na camada mais profunda da epiderme (a camada superior da pele). Tem baixa letalidade e pode ser curado em caso de detecção precoce. Surgem geralmente em regiões expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. Podem se desenvolver também nas áreas não expostas, ainda que mais raramente. Em alguns casos, além da exposição ao sol, há outros fatores que desencadeiam seu surgimento. Certas manifestações do CBC podem se assemelhar a lesões não cancerígenas, como eczema ou psoríase”.

Já o CEC, de acordo com o dermatologista, é o segundo mais prevalente dentre todos os tipos de câncer, manifesta-se nas células escamosas, que constituem a maior parte das camadas superiores da pele. “Pode se desenvolver em todas as partes do corpo, embora seja mais comum nas áreas expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo, pescoço etc. A pele nessas regiões, normalmente, apresenta sinais de dano solar, como enrugamento, mudanças na pigmentação e perda de elasticidade. A incidência do CEC é duas vezes maior em homens do que em mulheres. Assim como outros tipos de câncer da pele, a exposição excessiva ao sol é a principal causa do CEC, mas não a única. Alguns casos da doença estão associados a feridas crônicas e cicatrizes na pele e exposição a certos agentes químicos ou à radiação. Normalmente, os CECs têm coloração avermelhada e se apresentam na forma de machucados ou feridas espessas e descamativas, que não cicatrizam e sangram ocasionalmente. Eventualmente, podem ter aparência similar à das verrugas”, afirma.

E o Melanoma é tipo menos frequente dentre todos os cânceres da pele. “O melanoma tem o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade. Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença. O melanoma, em geral, tem a aparência de uma pinta ou de um sinal na pele, em tons acastanhados ou enegrecidos. Porém, a “pinta” ou o “sinal”, em geral, mudam de cor, de formato ou de tamanho, e podem causar sangramento. Por isso, é importante observar a própria pele constantemente, e procurar imediatamente um dermatologista caso detecte qualquer lesão suspeita. Essas lesões podem surgir em áreas difíceis de serem visualizadas pelo paciente, embora sejam mais comuns nas pernas, em mulheres; nos troncos, nos homens; e pescoço e rosto em ambos os sexos”, acrescenta o dermatologista.

Sintomas

O câncer da pele pode se assemelhar a pintas, eczemas ou outras lesões benignas. Assim, conhecer bem a pele e saber em quais regiões existem pintas, faz toda a diferença na hora de detectar qualquer irregularidade. Vale frisar que somente um médico especializado pode fazer um diagnóstico preciso. Mas ainda assim, é importante atentar a alguns sintomas. “Lesão na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangra facilmente; Uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho; Uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento”.

Fatores de risco

A exposição excessiva ao sol é o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pele. Mas há ainda outros fatores como pele clara (pessoas com menos pigmento melanina têm menos proteção contra os raios UV); idade (os mais velhos têm mais propensão a apresentar os carcinomas basocelulares e espinocelulares, pela exposição ao sol acumulada ao longo dos anos); sexo (homens são mais propensos que as mulheres a ter câncer de pele basocelular e cerca de 3 vezes mais chance de desenvolver câncer de pele espinocelular); imunossupressão (pacientes transplantados); vírus HPV (fator de risco para câncer de pele espinocelular, especialmente se o sistema imunológico da pessoa está debilitado) e Tabagismo (fator de risco para câncer de pele espinocelular, especialmente se o sistema imunológico da pessoa está debilitado).

Apesar das pessoas negras não entrarem no grupo de risco para o surgimento do CBC ou CEC, também devem estar atentas ao câncer de pele. “Os negros têm fator de risco aumentado para Melanoma na região dos pés, mãos e unhas”, detalha Charles Godoy.

Tratamento e Prevenção

Os tratamentos para câncer de pele são dos mais diversos, desde cremes até procedimentos mais invasivos. “Há tratamentos com cremes à base de substâncias que vão inflamar o tumor, fazendo com que o sistema imunológico reconheça e veja as células alteradas para destruir. Podemos usar métodos de destruição local com alguns ácidos ou nitrogênio líquido, através de um crio-spray (crioterapia) e procedimento cirúrgico, que é o mais indicado por retirar toda a lesão”, frisa o dermatologista.

Com relação a prevenção, alguns cuidados devem ser tomados a fim de evitar o câncer de pele. Os principais: Evitar a exposição solar, permanecendo na sombra no horário entre as 10h e 16h; usar filtros solares diariamente, e não somente em horários de lazer ou de diversão. Utilizar um produto que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo. Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia a dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço. Usar roupas, bonés e chapéus com tecidos que apresentem Fator de Proteção Solar (FPS) que protejam do Sol; observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas e consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo.

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