ANO NOVO

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Peixoto, 30 de Dezembro, 2019 - Atualizado em 30 de Dezembro, 2019

ANO NOVO

Refletindo sobre a vida, privilégio a mim concedido, busquei os fundamentos dos votos de felicidade para o novo ano. Novo ano? O tempo se renova? Fica envelhecido? Que diferença poderia haver entre o último segundo do 31 de dezembro e o primeiro do dia primeiro de janeiro?

Inicialmente, frise-se, nenhuma! O curso do tempo não se interrompe, não se pode nele interferir, de sorte que seja manipulado, refeito ou ofuscado. Qual torrente transbordante, cedo ou tarde, ele se revela tal e qual. Então, por que as manifestações auspiciosas de felicidades, nesta noite tão aguardada?

Prosseguirá a sucessão de segundos, horas, semanas e meses... É verdade! Mas, simbolicamente, enquanto o tempo vai seguindo o seu indelével curso, as pessoas param para uma comemoração, uma reflexão, uma revisão. E aí, encontram o sentido de tais manifestações eufóricas: “Feliz Ano Novo!”Descobrem que o ano é um período suficiente para a vida se apresentar, no palco da existência, com todas as circunstâncias que ela traz, sente ou representa.

Um ano é tempo para um sofrimento atroz, para um Amor inebriante e intenso, para as desilusões e decepções, para uma ascensão ou para uma queda acentuada. Simplesmente, num ano, ganham-se novas amizades, perdem-se entes queridos (quantos se foram neste...), experimentam-se convivências, postos novos, encontros e desencontros. É neste emaranhado de relações que a felicidade e a realização se fazem ou se desfazem.

Daí um Marco, no decurso do tempo, para balizar a saga existencial, dentro do universo da vida concreta. Nele, o ser humano se encontra e se refaz, constrói-se ou se deixa sepultar na tragicidade dos acontecimentos. De fato, o tempo será sempre o mesmo, sem distinções específicas. Mas, o ser humano será sempre diferente, pois se reinventa, recria-se, com criatividade e sensibilidade inteligente. É racional, tem fé, aposta na própria existência, descortina horizontes novos, ressignifica a existência, adapta-se...

Por isso, pode-se dizer que, a cada novo ano, têm-se mil e uma possibilidades de se refazer, de optar, de ser feliz e de fazer felizes seus pares. Ninguém se refaz sem atitudes novas! Daí ser importante a coragem de se debruçar sobre si para descortinar aquilo que pretende ser. Atitudes! Atitudes... na vida pessoal, nos hábitos alimentares, na sociedade, no trabalho, no lazer, na comunidade de fé, na atuação política, na construção da família. Sem Atitudes, ninguém chega a lugar algum.

Assim, ao se desejar feliz Ano Novo, pretende-se, na verdade, dizer: tenha atitude novas! Tome tenência! Cuide da vida! Aproveite para ser feliz, tornando-se protagonista de sua história. Reinvente-se, fazendo algo novo e bom para todos. Feliz Ano Novo.

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