Gente Sergipana - Luiz Eduardo de Magalhães

Por Antônio Samarone

Redação, 10 de Janeiro, 2020 - Atualizado em 10 de Janeiro, 2020


Luiz Eduardo de Magalhães nasceu em Aracaju, em 20 de maio de 1938. Filho de Luiz Magalhães e Maria Violeta de Farias Magalhães. Filho de cearenses, numa família de seis irmãos. O pai do Canindé e a mãe da Serra de Baturité. O pai veio à Sergipe, para ocupar o cargo de Promotor em Neópolis.

Em 1944, o pai, Luiz Magalhães, foi nomeado Juiz de Direito em Itabaiana. Luiz Eduardo tinha apenas 5 anos. A formação inicial de Luiz Eduardo se deu na cidade serrana. Frequentou as escolas das professoras Terezita e Dona Candinha; e concluiu o primário com a consagrada professora Isabel Esteves de Freitas, a Dona Bebé.

Aliás, Itabaiana deve muito a Dona Bebé.

Luiz Eduardo de Magalhães teve o privilégio de crescer numa cidade acolhedora. A família passava as férias no Bom jardim, no pé da serra, para entupir-se de Jaboticaba no sítio de Natália. As crianças viajavam em carro de boi.

Itabaiana era uma pequena Vila de alfaiates e sapateiros, sob os cuidados médicos do Doutor Gileno Costa e a proteção religiosa do Padre Heraldo Barbosa. Doutor Gileno valia por um SUS. Se as dores de qualquer gestante surgissem de madrugada, em qualquer povoado, o Dr. Gileno partia a cavalo para fazer o parto.

Luiz Eduardo de Magalhães foi muito bem tratado em Itabaiana, era filho do Juiz de Direito.

Itabaiana era uma cidade metida a besta, com uma intelectualidade pujante, sobretudo, entre os alfaiates. Luiz Eduardo guardou na memória a grandeza de Antônio e Paulo de Dóci, Renato Mazze Lucas (médico), Zé Crispim, Nilo, Zé Martins, Zé Silveira, Josias Bittencourt (dentista), Alberto Carvalho, que lutaram pelo “O Petróleo é Nosso”, fundaram um cine clube, um clube do trabalhador no Beco Novo e simpatizavam com o Partido Comunista.

Os comunistas de Itabaiana não perdiam nem missa, nem procissão. Alguns eram da Irmandade das Santas Almas. Todos mais ou menos cultos, grandes leitores e iniciados em música pela eterna Filarmônica Nossa Senhora da Conceição. Luiz Eduardo de Magalhães foi aluno do maestro e compositor Antônio Silva. Ficou nas primeiras notas musicais.

Luiz Eduardo de Magalhães tem a alma Itabaianense. Permaneceu apaixonado pelo Tricolor. Ainda hoje, quando alguém conta uma vantagem, um fato interessante, uma coisa assombrosa, Luiz Eduardo costuma repetir: “Eu queria que você visse era Itabaiana”.

Itabaiana não possuía ginásio. Luiz Eduardo de Magalhães foi ser interno no Colégio Jackson de Figueiredo, em Aracaju, onde concluiu o curso ginasial. No Jackson, Luiz Eduardo foi colega de turma do notável historiador Ibarê Dantas.

Luiz Eduardo estudou o científico no conceituado Liceu do Ceará, fundado em 1845. Foi morar na casa de um tio, em Fortaleza. Fez o vestibular para engenharia civil, em Campina Grande.

Fez parte na Faculdade de uma turma recheada de sergipanos. Luiz Eduardo de Magalhães foi colega de Turma de Luciano Barreto (CELI), Luiz Teixeira (NORCON) e José Carlos Silva (Cosil), as empresas que dominaram (junto com a Habitacional) a construção civil em Sergipe.

Luiz Eduardo de Magalhães teve uma vida universitária intensa, participativa, se aproximando do secular Partido Comunista. Por conta dessa militância, Luiz Eduardo foi indicado para representar o Brasil no Festival Mundial da Juventude (1962), na Finlândia. Foram dez brasileiros. O festival era o grande evento da juventude comunista no mundo.

Depois do encontro, os jovens eram convidados a conhecerem alguns países comunistas. Luiz Eduardo conheceu a Bulgária, Romênia, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental. Não gostou do que viu. Depois do festival, Luiz Eduardo esfriou com o comunismo, não era bem o que ele pensava.

Formado, o engenheiro Luiz Eduardo de Magalhães retornou à Aracaju. Ingressou no Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), sendo em seguida transferido para o Departamento de Estrada de Rodagem (DER), participando ativamente da construção da BR – 101. Em 1967, vai para o Recife trabalhar na SUDENE.

Na SUDENE, Luiz Eduardo de Magalhães especializou-se em economia, pela CEPAL, e atuou basicamente nas áreas de planejamento e auditoria. Luiz Eduardo se casou com a portuguesa Maria de Fátima, de onde nasceram quatro filhos: João Ricardo, Paulo Renato, Carlos Henrique e Mário Jorge.

Em 1979 retornou a Aracaju. Trabalhou na NORCON. Foi Prefeito do CAMPUS da UFS, na gestão de Gilson Cajueiro de Holanda. Enveredou pelo empreendedorismo: foi proprietário de um curtume em Itaporanga (Curtimbra), e depois sócio da Cerâmica Sergipe (Escurial). Hoje atua numa pequena empresa familiar, na área de exploração de petróleo.

Luiz Eduardo de Magalhães, aos 82 anos, continua um intelectual ativo, de boa formação, atento a vida social, atualizado, sempre fiel a sua consciência. Há muito lidera um grupo de diletantes (CORECON) que se reúne semanalmente, para refletir sobre a realidade.

Luiz Eduardo de Magalhães é um filho do iluminismo. Crente na razão, na ciência, no humanismo e no desenvolvimento. Um otimista irrecuperável. Muito aprendi na convivência com esse ilustre sergipano, mesmo quando discordava.

Luiz Eduardo de Magalhães é membro titular da Academia Itabaianense de Letras.

Antônio Samarone.

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