Ministério Diz Que Medicamento Para Tratar Asma Alérgica Grave Será Ofertado No SUS

A oferta do medicamento atende à demanda de pacientes com asma grave e de médicos para controle da doença, que não tem cura.

Redação, 24 de Janeiro, 2020

partir de agora, pessoas com asma alérgica grave contam com mais uma opção de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se do medicamento omalizumabe, que deve auxiliar no controle da doença. A asma está entre os problemas respiratórios mais comuns no país, atingindo a cerca de 20 milhões de brasileiros, sendo que entre 5% e 10% dos casos são considerados graves.

O medicamento é indicado justamente para o controle dos casos graves da doença, quando os sintomas são diários ou contínuos e sem resposta ao tratamento já disponível no SUS, com medicamentos anti-inflamatórios e de alívio à falta de ar (corticoides inalatórios e beta-2 agonista).

Inicialmente, a equipe da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) não havia identificado evidências científicas suficientes sobre os benefícios do tratamento com o medicamento. Contudo, durante consulta pública para ouvir a população sobre a oferta do omalizumabe no SUS, a Conitec recebeu mais de 2.300 que relatavam a melhoria, após o tratamento, dos sintomas provocados pela doença, como diminuição das crises e redução da necessidade de hospitalização.

As manifestações apresentadas à equipe técnica da Conitec, que analisa a incorporação de novos medicamentos e tratamentos no SUS, foram enviadas por especialistas e profissionais de saúde, além de pacientes, familiares, cuidadores, entre outros. As contribuições enviadas trouxeram evidências sobre os benefícios do uso do medicamento. Assim, a incorporação do medicamento foi publicada no Diário Oficial da União no último mês.

Acesse o relatório da Conitec que recomenda a oferta do omalizumabe no SUS

A Diretora do Departamento de Gestão de Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde, Vania Canuto, destaca que a incorporação do omalizumabe no SUS reflete a disposição do Ministério da Saúde de buscar continuamente as melhores opções de tratamento disponíveis no mundo para cuidar da saúde dos brasileiros, ampliando o conjunto de medicamentos disponíveis para o tratamento da asma grave.

“O omalizumabe atenderá a uma população bem específica, que mesmo recebendo o melhor tratamento atualmente disponível e seguindo corretamente todas as orientações, não consegue controlar a asma e continua tendo crises e, muitas vezes, passando por hospitalizações. Com esse medicamento, espera-se que ocorra a redução das internações, que os pacientes consigam controlar a doença e, consequentemente, melhorem a qualidade de vida”, explica Vania Canuto.

ASMA
A asma é uma inflamação das vias aéreas que dificulta a respiração. É causada tanto por fatores genéticos (histórico familiar) associados a substâncias irritantes paras as vias aéreas, como fumaça, cheiros fortes, mofo e poeira, quanto por outros estímulos, como frio, fatores emocionais, atividade física e alguns medicamentos. Tem início, principalmente, na infância, mas pode atingir adultos também.

Os sintomas são variados e incluem falta de ar, tosse, dor e aperto no peito. Quando estas manifestações são regulares, impactam na qualidade de vida e produtividade das pessoas, gerando insônia, fadiga diurna, redução dos níveis de atividade e ausência na escola ou no trabalho.

A duração e a intensidade dos sintomas variam e são desencadeadas por alguns fatores, como atividade física, exposição a alergênicos, mudança do clima e infecções respiratórias virais.

A doença é uma causa importante de internações no SUS. Cerca de 350 mil internações hospitalares são registradas anualmente na rede pública, decorrentes de complicações relacionadas à doença. Apesar de não ter cura, a asma pode e deve ser controlada, independentemente de sua gravidade.

OMALIZUMABE
O omalizumabe é indicado para adultos e crianças acima de 6 anos com asma alérgica moderada a grave não controlada, apesar do uso de corticoide inalatório (CI) associado a um beta2-agonista de longa duração (LABA). Ele é aplicado por via subcutânea (com injeção) em doses que variam conforme o peso e a gravidade da doença. O medicamento age ligando-se a uma proteína chamada Ig3, presente no sangue de pacientes com asma alérgica, prevenindo, assim, o desencadeamento de crises alérgicas.

Saiba mais sobre a asma (causas, sintomas, tratamento e diagnóstico)

Por Luísa Schneiders, da Agência Saúde

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