Projeto “Fazer sorrir Angola” terá nova edição em outubro

Redação, 04 de Março, 2020

O sonho de ajudar ao próximo sempre esteve presente na vida de Taís Rocha. Desde os 12 anos, acompanhava seus pais nos diversos tipos de ações humanitárias. A mãe é assistente social e o pai, advogado. Eles permitiam não apenas que ela participasse dos serviços como também vivenciasse o dia a dia das pessoas que eram assistidas.

“Desde muito nova meus pais me mostraram uma vida diferente da minha e, desde lá, tenho uma caixinha com diversos projetos que tinha vontade de fazer. São 14 anos cultivando o meu desejo em fazer o bem”, comenta Taís.

Foi também, a partir de outro sonho iniciado ainda na infância que a jovem finalizou a sua graduação. “Ser dentista era o que eu queria para minha vida”, declara. Em 2016, Taís concluiu o curso de Odontologia na Universidade Tiradentes.

“Entre tantos aprendizados, durante o meu curso, fui monitora da matéria de Saúde Bucal Coletiva. Esta experiência me deu a oportunidade aprender muito mais, de aplicar e transmitir vivências nas comunidades e instituições em que fomos atuantes. É uma das áreas em que mais podemos trabalhar a humanização do atendimento, de como enxergar o ser humano e não somente uma boca a ser tratada”, enfatiza.

Uma das professoras em Saúde Coletiva que lhe inspiraram foi a coordenadora do curso de Odontologia da Unit, Simone Guedes. “Essa área lida diretamente com a comunidades e quando Taís trabalhou comigo, tentamos mostrar o diferencial que podemos fazer na vida do indivíduo para melhorar sua qualidade de vida. Fico muito feliz que essa sementinha brotou em Taís que sempre falava que tinha essa vontade de trabalhar na África”, lembra Simone Guedes.

Após a graduação, Taís procurou agregar novos conhecimentos para seu crescimento profissional. Assim, fez uma especialização em Odontopediatria e outra em Odontologia para pacientes com necessidades especiais. No entanto, foi no mestrado que a sua vontade ganhou mais força e, com a ajuda de uma amiga angolana, teve a oportunidade de criar o projeto na Angola. “Nossos sonhos se uniram. Descobrimos esta vontade em comum e depois outras colegas chegaram para se somar”, afirma.

Em meio a contatos, planejamentos e expectativas, surgiu o projeto “Fazer sorrir Luanda” com o intuito de realizar, gratuitamente, procedimentos odontológicos. Taís só não imaginava que a iniciativa ganharia tanta repercussão positiva e virasse, antes mesmo de finalizar o “Fazer sorrir Angola”.

“A primeira edição era para acontecer este ano, mas tivemos a oportunidade de realizar em outubro do ano passado. Os nossos corações estavam ansiosos para fazer esta missão e resolvemos aceitar o desafio e fazer tudo em apenas quatro meses para fazer”, conta. Com uma grande mobilização, o grupo conseguiu fazer uma campanha, arrecadar recursos financeiros e muitas doações e, assim, seguir viagem em busca do sonho.

A missão

A iniciativa foi um sucesso. Mais de 1.200 crianças receberam tratamento odontológico completo, além da parte preventiva e educação bucal. Os acompanhantes também participavam de palestras sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis.

“Cada um dos mais de 1.200 sorrisos que recebemos teve um significado, um valor que nenhum dinheiro paga. Apesar da dor e das circunstâncias, todos sempre tinham um sorriso e um abraço a oferecer. Apesar do pouco, em muitos lugares, a partilha sempre se fazia presente. Uma terra com um povo feliz, com crenças, costumes e muita cultura a oferecer. Nós fomos lá para ajudar, mas quem mais recebeu fomos nós”, salienta a odontóloga.

“O fato de ter conseguido juntar o sonho de um dia realizar missão em algum lugar da África e poder proporcionar uma melhora na qualidade de vida das crianças com minha profissão foi o casamento perfeito. Não tem como voltar a mesma pessoa, nem o mesmo profissional”, acrescenta Taís.

Próxima edição

Este ano, o grupo já está mobilizado para uma nova missão marcada para o mês de outubro. “Toda ajuda é de grande valia. Muitas pessoas nos procuram achando que não podem participar porque não podem doar grandes valores, mas toda contribuição é válida. Revertemos para a aquisição de materiais que utilizaremos no projeto. É importante destacar também que as empresas também podem fazer suas doações”, finaliza.

A campanha seguirá até o mês de setembro. Os interessados em colaborar com o projeto podem entrar em contato por e-mail: fazersorrirangola@hotmail.com ou pelo Instagram: @taisrocha_odontoped_pne.

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