CENSO AGROPECUÁRIO BRASILEIRO (II), por Manoel Moacir Costa Macêdo

Redação, 13 de Março, 2020

Estamos na chamada Quarta Revolução Industrial, com ela a Agricultura 4.0. Uma produção agropecuária lastreada em ciência, competitiva e empreendedora. Novos desafios advirão, além daprodutividade, lucro e acumulação. Demandas de consumidores esclarecidos e exigentes emalimentação saudável, procedência dos produtos, e comércio ético, serão regras, e não exceções. Uma quadra social, com um novo modo de produzir e consumir bens e serviços. A agropecuária brasileira não está fora desse desafio.

 

O Brasil como produtor e exportador de alimentos, inexoravelmente sofrerá os efeitos dessa realidade. A produção, não será linear, como umacorreia de produção quantitativa de alimentos. Nesse cenário, o Brasil está inserido, menos como um consumidor, e mais como exportador, dependente da volatilidade do mercado global. Ainda predomina a fome e a desigualdade, que proíbem a compra de comida pelos brasileiros pobres. Apenas, seis famílias acumulam mais riqueza do que 100 milhões de brasileiros -, metade da população brasileira.

 

Os números que definem o Produto Interno Bruto – PIB do setor agropecuário, para 2020, projetam um crescimento de 3,4% a 4,5%, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, -  o órgão que auxilia o planejamento do Brasil. O crescimento esperado das lavouras, será acima de 3,9%, principalmente nas culturas de soja e café. Para a pecuária, o aumento previsto será de 3,5%, com destaque para os suínos e bovinos. Esses indicadores da produção agropecuária na competitiva arena global, não será únicos e nem os mais relevantes, para uma população esclarecida e com capacidade de comprar alimento, livre de contaminações, amigável do meio ambiente, origem eprocedência identificadas, respeito à dignidade humana, e a ética no modo de produzir.

 

Na Agricultura 4.0, o fator de produção estratégico não é a terra, nem a mão de obra, mas a ciência, com suas inovações tecnológicas, algumas com força de quebrar paradigmas estabelecidos. O primeiro passo, para entrar nessa época, é conhecer a realidade, identificar os problemas, e soluções. Para tanto, o “Censo Agropecuário” é a fonte de informações do mundo real da agropecuária brasileira. Uma ferramenta estratégica para tomada de decisão dos formuladores de políticas, produtores, organizações de pesquisa, assistência técnica, efomento. Uma complexa atividade que exige competência para “dentro e fora da porteira dos estabelecimentos agropecuários”, isto é, nos níveis da “produção, comercialização, distribuição e consumo”.

 

O Censo Agropecuário, mostrou que “em relação ao úmero total de estabelecimentos agropecuários, que considera os produtores rurais com áreas e os sem áreas”, em dez anos houve uma redução de 102.312 unidades. Decresceu de 5.175.636 de estabelecimentos agropecuários em 2006, para 5.073.324 em 2017. No Nordeste, no mesmo período, ocorreu uma redução aproximada de 132 mil estabelecimentos. Na mesma perspectiva, ocorreu no Brasil, um acréscimo de 4,6% na utilização das terras com lavouras. O inverso, aconteceu no Nordeste, houve uma redução de 29%, no mesmo período. Uma inicial problematização, para identificar as causas e consequências dessa movimentação na estrutura agrária brasileira e nordestina.

 

Outra evidência censitária, que trará implicações à produção agropecuária brasileira: em 70% dos estabelecimentos agropecuários, a idade média da população adulta e rural, é de “45 anos e mais”, e “23% é analfabeta”. Combinação desconectada para as demandas de uma economia globalizada e atual: adulta e analfabeta. Uma realidade inadequada para o manejo de uma agropecuária do saber, dita 4.0. As vantagens comparativas de Nações produtoras debens primários, a exemplo dos especializados naprodução agropecuária, somente serão mantidas, onde o conhecimento apropriar o modo de produzir,quebrar, e prospectar paradigmas, sob pena de reproduzir nessa nova época, as relações do “Centro e Periferia”, numa dependência histórica e subalternados periféricos.

 

Manoel Moacir Costa Macêdo

Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brigthon, Inglaterra

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