IAPF realiza análises sobre substâncias prejudiciais presentes em cigarros eletrônicos

As substâncias presentes nesses aparelhos podem causar infarto e AVC

Redação, 15 de Março, 2020 - Atualizado em 15 de Março, 2020


O cigarro eletrônico surgiu como uma saída contra o tabagismo. No entanto, estudos científicos têm revelado que as substâncias presentes nesses aparelhos também possuem um grande potencial cancerígeno, e que podem elevar o risco de infarto e de Acidente Vascular Cerebral (AVC). No ano passado, o Instituto de Analises e Pesquisas Forenses (IAPF) realizou perícia na substância que se encontrava nesse aparelho. A venda desse equipamento é proibida no Brasil.

 Os estudos que demonstram a alta periculosidade desse equipamento já vinham sido desenvolvidos pela Universidade de Portland, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados no periódico New England Journal of Medicine. Segundo os pesquisadores, por causa de uma substância chamada Formaldeído, o vapor desses dispositivos pode ser até 15 vezes mais cancerígeno que a fumaça do cigarro comum. Outro estudo, da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia constatou o potencial de risco de infarto e AVC.

 A primeira análise de cigarro eletrônico em Sergipe foi feita pelo perito criminal Bruno Araújo. O perito criminal Nailson Correia explicou a importância das análises que são feitas nos cigarros eletrônicos, visando a identificação das substâncias presentes nesses dispositivos. “Trata-se de análises das substâncias encontradas nesses aparelhos eletrônico, indicando se existem substâncias de uso proscrito. Em muitas vezes, não há apenas a essência, encontram-se também a nicotina e outros compostos. Na nossa análise, foram encontrados ésteres, que vaporizam e condensam no pulmão podendo causar problemas pulmonares, além de cardíacos, de acordo com os estudos de agência de saúde americana”, apresentou.

 Ele esclareceu os impactos desses compostos no corpo humano. “Os ésteres são compostos químicos de massa molecular muito pesada, então na corrente sanguínea podem ir se acumulando, aumentando as chances de se ter um infarto ou um AVC. Também foi encontrada, em grande concentração, o Glicerol, que ataca as vias coronárias, trazendo sérios problemas à saúde das pessoas”, complementou o perito.

 Criação do cigarro eletrônico

 De acordo com o perito criminal, esse aparelho foi desenvolvido com o a ideia de evitar que as pessoas que usavam os cigarros tradicionais consumissem muito mais substâncias danosas à saúde. “A ideia inicial do cigarro eletrônico, quando foi concebido era que as pessoas fumantes, que faziam uso do cigarro derivado do tabaco, com mais de 60 substâncias cancerígenas; passassem a usar um aparelho somente com a Nicotina, que é o que causa o vício principal”, citou.

 Mas o perito alertou que a grande difusão desses aparelhos aumentou os riscos para a população, inclusive para os mais jovens. “O  problema é que, com as essências criadas, as empresas conseguiram atingir um público muito grande, que não tem o conhecimento de que o cigarro eletrônico faz mal para o organismo”, destacou.

 Proibição

 No Brasil, a venda, a importação e a propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas desde 2009. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) alegou que faltavam evidências sobre a segurança desses aparelhos. “O uso desses vaporizadores não é proíbido, mas a venda é, quem comercializa tais equipamentos está cometendo um crime”, concluiu o perito criminal Nailson Correia.

Por: SSP/SE

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