O Direito de Caminhar. (por Antonio Samarone)

Redação, 16 de Março, 2020

Numa intensa ação de marketing, o Prefeito Edvaldo Nogueira tenta passar a imagem de “tocador de obras”, apresentando como prova o recapeamento asfáltico de algumas avenidas.*
*Como qualquer ação na mobilidade, beneficia uns e prejudica outros.

As prioridades refletem a alma da gestão. Vamos a um exemplo:

A prefeitura está gastando nove milhões para reformar a Avenida Rio de Janeiro,* *uma das mais importantes da cidade. A reforma consiste no alargamento da pista de rolamento e na relocação da ciclovia, usando-se uma área de domínio da concessionária da ferrovia.

Teoricamente, os beneficiários dessa reforma serão os que andam de veículos próprios (carros e motos) e o transporte coletivo.

E quem serão os grandes prejudicados com a reforma da Rio de Janeiro?

Isso mesmo, os pedestres!

Uma grande parcela da população se desloca a pé, caminhando. Cerca de 43% dos deslocamentos, as pessoas os fazem andando. Só que essas pessoas são socialmente invisíveis.

E de que forma a reforma da Rio de Janeiro prejudica os pedestres?

1. As calçadas continuam intransitáveis (veja a foto). A prefeitura não considera as calçadas públicas. Uma visão elitista e atrasada.

2. Não foi previsto nenhuma forma de travessia segura para os pedestres. Criou-se uma barreira. O pedestre só atravessa, correndo risco de atropelamento.

3. É inconcebível 7,5 km de avenida sem nenhuma árvore plantada. Do Siqueira Campos ao Santa Maria, árvores só na Avenida Gasoduto, no Orlando Dantas. No mais, um grande vale de asfalto e concreto.

São considerações bem intencionadas, sem politicagem. Se Edvaldo Nogueira repensar e corrigir essa discriminação com os pedestres, receberá os meus aplausos.

Antonio Samarone.

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