Sobre as medidas de combate ao COVID19 ( por Márcio Monteiro)

Marcio Monteiro, 22 de Março, 2020 - Atualizado em 27 de Março, 2020

Um dos gargalos para o combate ao COVID19 tem sido o desabastecimento de alguns produtos muito valorizados em meio a atitudes reprováveis de gente que usa do seu poder de compra para adquirir e estocar grande quantidade de produtos esperando auferir maiores lucros à frente. A população entrou na insana corrida de comprar produtos de higiene, influenciados pelas mídias sociais, visando formar o seu estoque particular de produtos como: mascaras cirúrgicas, Vitamina C, antimaláricos e antirreumáticos (à base de hidroxicloroquina), álcoois líquidos nas concentrações 70° e 92,8°, ou na forma de gel. Estive pessoalmente em uma dúzia de farmácias de Aracaju, e não encontrei nem mesmo vitaminas C ou álcoois nas suas diversas composições, concentrações e embalagens.

Temos acompanhado pelas mídias sociais essa situação de emergência sanitária provocada pelo vírus Corona e as duras e restritivas medidas preventivas anunciadas a cada dia nas três esferas de governo. Dentre todas as medidas adotadas, a mais dolorosa e angustiosa é sem dúvida o isolamento social imposto aos idosos, que assistem pela TV a triste realidade vivida pelos italianos de mesma faixa etária, e que são obrigados reverem hábitos enraizados por toda uma vida, tendo que se submeter ao “confinamento” para protegerem-se e aos seus familiares da transmissão do COVID19.

A dura realidade dos fatos e os desdobramentos da epidemia no curto prazo nos fazem acreditar, que mais uma vez perdemos a oportunidade de acelerar medidas econômicas importantes pós Reforma da Previdência, como a aprovação do novo Pacto Federativo. Assim como o fator Wesley freou Temer, dessa vez o COVID19 não só brecou o Pacto Federativo, como derrubou num só tombo, o PIB acumulado em 2020, pulverizado que foi pelo somatório de fatos como a queda do preço do barril de petróleo, a subida do Dólar, sobretudo pela quase paralisação da atividade econômica no mundo.

O Governo Federal tem grande responsabilidade sobre o que deixou de fazer em relação à agenda econômica nesse início de 2020, a exemplo da reforma administrativa, mas para sorte dos brasileiros, tivemos a grata surpresa de ver um Ministério da Saúde bem gerido e com uma equipe muito capaz, liderada por um ministro que transmite segurança e confiança. Fato que pudemos constatar em todas as oportunidades em que o Ministro se pronunciou sobre as medidas tomadas pelo seu Ministério em relação à prevenção e tratamento dos infectados pela epidemia. Mandetta transformou-se no protagonista de um governo inseguro e desgastado, a ponto de deixar seus pares e o próprio Presidente da República visivelmente desconfortáveis.

Devemos agradecer aos céus ter o Ministro Mandetta à frente do combate à COVID19 e reverenciar o seu empenho e espírito cívico em relevar atitudes contrárias às orientações técnicas da sua pasta, em nome do bem comum. Mas como nada é perfeito nesse mundo de meu Deus, ainda não compreendi a razão por não terem sido tomadas medidas emergenciais em relação à suspensão, mesmo que temporária, do uso do etanol combustível para distribuição nos postos, produto que possui graduação 96° antes de ser hidratado para uso automotivo. O álcool produzido para este fim poderia sair das usinas embalados na forma líquida ou destinados às muitas indústrias que existem pelo Brasil, que têm como colocar linhas de produção destinadas a processar e embalar álcool em gel para abastecer as unidades de saúde do Sistema SUS. Embora tenha aprendido na Internet a fazer álcool gel e ter os insumos necessários para fazê-lo, prefiro aguardar medidas como a que sugiro, para a rápida normalização da oferta do produto no comércio. Peço desculpas por usar este espaço para fazer este questionamento às autoridades constituídas.

Apesar do quadro preocupante, permaneço otimista em relação a vivenciarmos dias melhores em 2020. Acredito que com a graça de Deus em breve poderemos voltar a apertar as mãos e abraçar nossos entes e pessoas queridas, comemorando o fim dessa epidemia, que veio também para nos alertar sobre os impactos ao lidarmos com questões ambientais e da necessidade de darmos mais atenção ao saneamento básico e à vigilância epidemiológica.

Aos profissionais de saúde que estão na linha de frente dessa batalha diária contra o COVID19, nossa eterna gratidão!

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