Caminhoneiros ameaçam parar

Por Daniela Giopato Da Silva, por O Carreteiro.

Aparecido Santana, 23 de Março, 2020 - Atualizado em 23 de Março, 2020

Os motoristas de caminhão estão enfrentando muitas dificuldades na estrada por conta do Coronavirus. A lista de problemas já habituais ganharam elementos novos que estão deixando os profissionais cada vez mais inseguros.

Um dos problemas relatados é a dificuldade de se alimentar na estrada e falta de estrutura de higiene para se protegerem do vírus. Com a situação de insegurança total, alguns motoristas já falam em parar.

“Muitos restaurantes estão fechados e alguns postos estão restringindo a caixa cozinha do caminhão. Então como faremos? Sem contar que mesmo abastecendo nos postos eles não deixam usar o banheiro. E também não tem álcool em gel para a nossa higiene e segurança”, afirmou Amarildo da Silva, Xanxere/SC.

Amarildo adiantou que alguns motoristas estão preocupados com a situação e já cogitam parar de carregar caso o governo não tome medidas para garantir a segurança deles na estrada e também nas empresas no momento de carregar e descarregar.

Um colega de Amarildo, que mora em Rio Grande do Sul, contou que muitas vezes fica sem almoçar por não encontrar restaurante aberto. Outra dificuldade enfrentada é a falta de borracheiro nos postos para fazer reparos e manutenções rápidas no caminhão.

Outro colega de Amarildo (que faz parte do grupo de Whatsapp dele) fez um depoimento emocionado relatando que os motoristas estão passando fome e dependendo da boa ação de outros colegas que oferecem um cafe ou uma refeição grátis por terem caixa cozinha no caminhão.

Motoristas oferecem café e refeições para ajudar colegas que não possuem caixa cozinha

“A situação está bastante complicada”, diz Amarildo.

Outro motorista que também está preocupado com a situação é Luciano Vicente dos Santos, da Praia Grande/SP. Ele acredita que muitos motoristas vão ter dificuldades na questão da alimentação. “O governo falou de todos os profissionais, mas em nenhum momento citou os caminhoneiros nas coletivas”, reclama.

Luciano explica que em alguns lugares não querem deixar o motorista utilizar as áreas internas das empresas,como banheiro e refeitório. “Álcool em gel não encontramos em lugar nenhum, moro na baixada santista e vou para casa todos os finais de semana. Esse que passou não fui. Minha família está em casa e como não sei se já contrai o virus ou não decidi por segurança não voltar. Poderiam fazer exames com os caminhoneiros, afinal,somos do grupo de risco a ser infectados,estamos expostos a tudo”, relatou.

Algumas empresas, conforme explica Luciano tem mais infraestrutura. “Hoje estou em uma empresa aguardando para carregar e aqui eles fazem triagem (medem a febre ) e disponibilizam álcool em gel, as filas respeitam a distância segura entre um motorista e outro e não tem restrição para entrar no refeitório e outras áreas comuns”, contou.

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