Somos quantos Brasis? (por Antonio Samarone)

Redação, 06 de Maio, 2020 - Atualizado em 06 de Maio, 2020

 

As Jornadas de junho de 2013 colocaram as divisões da sociedade brasileira às claras. Não se sabia que eram tão profundas e irreconciliáveis. Divergências cultivadas pelo ódio e pelo desprezo de um passado escravocrata.

A Pandemia está expondo os extremos.

Chegamos a 116 mil casos confirmados da doença e a 8 mil óbitos, mesmo assim, existe uma parcela significativa da sociedade que minimiza, que acha que vivemos uma normalidade sanitária. Mesmo quando assistem aos sepultamentos pela TV, alegam que os caixões estão vazios, ou cheios de pedras.

Esse delírio negacionista só ocorre no Brasil.

Uma parte da sociedade brasileira acredita que a Pandemia é fabricada artificialmente para prejudicar o Governo Bolsonaro e encher os bolsos dos prefeitos e governadores, com os repasses federais de recursos.

Essa crença não é uma fantasia de gente desinformada. Não! É uma convicção sólida, irremovível por fatos e argumentos. A vida dos outros vale pouco!

Em Sergipe, a militância negacionista é movida por interesses e necessidades econômicos. A fração apenas ideológica é barulhenta, porém pequena. Meia dúzia de gatos pingados.

Na sexta-feira, 27 de março, líderes políticos e empresariais realizaram uma carreata em Aracaju pressionando o Governo a suspender o isolamento social em Sergipe.

Na segunda-feira, dia 30 de março, o Governador recebeu o movimento em Palácio, e ficou de estudar o pleito da suspensão o isolamento em Sergipe.

Nesse mesmo dia, o Governador anunciou a doação de cem reais, isso mesmo cem reais, a 35 mil famílias pobres. Não sei por quanto tempo, se deu, se não deu, e muito menos quem são essas famílias.

Os empresários solicitaram também a redução do ICMS, negado enfaticamente pelo governador: isso não! A arrecadação já caiu R$ 890 milhões e eu tenho fornecedores e folha de pessoal para pagar. O que eu posso é dispensar o visto nos Postos Fiscais, das mercadorias em trânsito por Sergipe. Abrir as cancelas do Fisco. Muita gente abriu um largo sorriso.

Finalmente, em 17 de abril, o Governador Belivaldo cedeu às pressões e flexibilizou o isolamento social. Sergipe tinha 58 casos da Covid – 19 notificados, ontem chegamos a 898 casos e 21 óbitos. Na semana seguinte, Belivaldo voltou atrás, pressionado pelo Comitê Científico do Nordeste.

Era tarde, a doença aproveitou as aglomerações e ligou as turbinas. Justiça se faça, a incompetência e a má vontade da Caixa Econômica na liberação do abono federal dos 600 reais, tem responsabilidade pelo crescimento da doença em Sergipe.

Onde isso vai parar e para onde estamos indo? Existem muitas controvérsias. Os caminhos estão sendo construídos. A crise gera oportunidades, inclusive de ser agravada.

“Pouca saúde e muita saúva, são os males do Brasil”. Foi o que “Macunaíma” escreveu no livro de visitas do Instituto Butantan, em São Paulo.

Em outra ocasião, Macunaíma profetizou:

“Porém, senhoras minhas! Inda tanto nos sobra, por este grandioso país, de doenças e insetos (e vírus) por cuidar!... Tudo vai num descalabro sem comedimento, estamos corroídos pelo morbo e pelos miriápodes!”

Antonio Samarone.

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