A Pandemia dizima o Brasil. (por Antonio Samarone)

Redação, 07 de Maio, 2020

A doença avança com velocidade. Chegamos a 8.500 óbitos. Mesmo assim, as redes sociais estão lotadas de mensagens mentirosas, distorcidas, meias-verdades, postada por muita gente conhecida, tentando negar a gravidade da tragédia.

O Poder Público dividido.

O Capitão Corona insiste em boicotar as ações. Governadores e Prefeitos não possuem todos meios. Não adianta somente os decretos de restrições de mobilidade, protocolos para saber quem deve ocupar a vaga na UTI, barreiras em aeroportos (dispensáveis nesse momento), distribuição de máscaras em ponto de ônibus e a medição da temperatura dos feirantes.

Medidas econômicas são indispensáveis!

Por exemplo, não se pode adotar o fechamento total das cidades (lockdown), sem os atenuantes econômicos. Não se pode mandar para casa, quem não tem para onde ir, nem como sobreviver.

O Isolamento Social é uma coisa, lockdown é outra, bem mais profunda. É óbvio, fechar Manaus não é fechar Paris e Milão, onde o povo tem do que viver.

O fechamento total pode ser necessário, e vai ser em alguns lugares, porém precisa ser acompanhado do auxílio econômico, para os que precisam. Sem esquecer os riscos de desabastecimento.

Em Sergipe, a Peste avança. Aracaju está empesteada! Notificou até ontem 600 casos. A previsão é Aracaju chegar a 2.700 casos nos próximos 8 dias. Isso é apenas a ponta do Iceberg. A morte ronda Aracaju. É hora de solidariedade e de somação dos que querem e podem ajudar.

Apertar as restrições de mobilidade precisa ser acompanhada de atenuantes econômicos. O que o Prefeito de Aracaju tem a dizer? A Prefeitura não pode fazer vista grossa para a questão social.

Como será organizado o pagamento da segunda parcela dos 600 reais pela Caixa da Morte, para se evitar as criminosas aglomerações. A Prefeitura precisa exigir providências da Caixa Econômica! Não adianta ser feroz com os ambulantes e pequenos empresários e mansinha com os poderosos.

Para atenuar o desgaste pelas escandalosas filas, locais privilegiados de transmissão do coronavírus, a Caixa Econômica determinou (não foi em Aracaju) que ninguém entraria mais para retirar os seiscentos reais sem máscaras. Aparentemente uma medida positiva. Na prática foi um desastre. Como a maioria não possuía máscara, os que saiam, repassavam a sua máscara para o próximo da fila. E assim, as poucas máscaras passaram de rosto em rosto.

O Prefeito de Aracaju procura sempre tirar proveito, transformando cada passo, cada ação, cada medida, cada fala, cada gesto, num espetáculo político. Não percebe que ações midiáticas são inoportunas nesse momento.

O Comitê Científico do Nordeste defende a criação de Brigadas Emergenciais de Saúde, uma estratégia centrada na Rede Básica. O mapeamento participativo através do Monitora Covid – 19, é um instrumento para subsidiar as Brigadas. Não sei o que os Prefeitos sergipanos pensam.

Montar hospitais de campanha, com baixa resolutividade, só para casos leves, parece ser a opção preferida. O Prefeito de Socorro já anunciou o seu.

O Governador é um bem intencionado que atrapalha. Ele governa quase nada, um Estado que ele ajudou a falir. A máquina não funciona há muito tempo. A Secretaria da Saúde foi transformada em comitê político há décadas. Pagamos um alto preço por isso, até hoje.

O Secretário da Saúde, Valberto de Oliveira Lima, se afastou do cargo no pico da Pandemia, para ser candidato a Prefeito. Foi sempre assim: políticos usando o cargo para viabilizar as suas carreiras políticas. Comandar a saúde sempre foi em Sergipe, uma garantia de sucesso político para os comandantes.

Dessa vez os políticos não brigaram para indicar o novo Secretário da Saúde. Nesse momento a politicagem está prejudicada. Ninguém quis a chamada joia da Coroa.

As circunstâncias permitiram um fato positivo. Assumiu a Secretaria da Saúde uma técnica competente em Saúde Pública, a enfermeira Mércia Feitosa. Deixem a moça trabalhar!

A Saúde Pública agoniza há muito tempo em Sergipe, entre outras razões, por essa ingerência da politicagem na gestão. Não sei como vai funcionar a rede de assistência, montada para atender as vítimas da Pandemia.

Teremos dias de dor, tristeza e sofrimento?

Antonio Samarone.

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