Os Debates do Pós Pandemia já começaram! (por Antonio Samarone).

Redação, 11 de Maio, 2020

Existem evidencias que a economia mundial sairá da Pandemia destroçada. Recessão, desemprego, empresas falidas, aumento das desigualdades, violência e crescimento da pobreza. Nessa questão, as discordâncias são mínimas.

As dificuldades não serão as mesmas para todos. As grandes potências encontrão o caminho da normalidade mais rápido.

E o brasil? Bem, o Brasil é um caso a parte. A crise sanitária encontrou um terreno fértil para aprofundar as suas desgraças.

Mas não entrarei nesse cipoal agora.

O Brasil está profundamente dividido quanto a Pandemia. O Governo brasileiro imputa a desorganização da economia a estratégia de Isolamento Social, usada pela saúde pública e adotada pelos governadores, para enfrentar a Peste. “Vocês vão quebrar o Brasil”, é o chavão dominante.

O fato de a quebra da economia mundial ser decorrente da própria Pandemia, inerente a crise sanitária, no Brasil não conta. A responsabilidade no Brasil será atribuída ao Isolamento Social. Ouvi de um líder negacionista: “estamos plantando para colher depois. Os mortos o povo esquece, mas o desemprego será permanente.”

Podemos esperar escrúpulos da luta política no Brasil, nesse momento?

Não importa que a estratégia do isolamento seja mundial, recomendada pela OMS, pela imensa maioria dos cientistas, pelas evidências epidemiológicas, nada disso vale. O governo federal decidiu que o isolamento é desnecessário, e até criminoso.

O Isolamento Social pode agravado pelo lockdown (fechamento completo de algumas cidades), que a saúde pública pode aconselhar, dependendo da gravidade de propagação da Pandemia e da insuficiência da rede assistencial. Muitos óbitos, sem a devida assistência, podem obrigar ao fechamento.

No Brasil, algumas cidades já estão enfrentando o fechamento total.

Todos os recursos e argumentos são utilizados para condenar o isolamento social: Da sua ineficácia a negação dos dados. Já ouvi muito: essa mortalidade foi inventada pela imprensa, para criar medo e pânico. Não é bem assim, não existe esses mortos todos.

Os argumentos são políticos, qualquer justificativa é aceita, desde que reforce a narrativa que o isolamento social quebrou a economia. A versão vale mais que a verdade. Os argumentos não necessitam de comprovação. Existe um convencimento prévio, esperando uma justificativas.

Os grandes culpados no pós Pandemia, serão os governadores e prefeitos que recorreram ao isolamento social. Um narrativa estúpida, mas não derrotada politicamente. O debate não será uma defesa de tese, por uma banca acadêmica. Será uma disputa política encarniçada.

A forma como a China enfrentou e resolveu a Pandemia e as sólidas recomendações da OMS, foram decisivas para a aceitação do Isolamento Social com estratégia consistente. A experiencia italiana reforçou a estratégia.

Repondo a verdade, o Isolamento Social nunca prometeu impedir a disseminação da Peste, foi usado para achatar a curva de crescimento, evitando o colapso dos sistemas de saúde. E isso o isolamento cumpriu.

Numa epidemia onde a transmissão da doença é feita de pessoa a pessoa, sem necessidades de vetores (mosquitos), é patente que quem consegue evitar esse contato, isolando-se, diminui consideravelmente o risco de contraí-la. Os que estão isolado enfrentam riscos menores.

Esse fato é reforçado, na prática, pelos que são contra o isolamento, porque mesmo contra, eles estão isolados. A questão é que o isolamento está atrapalhando os seus negócios.

No início, o Primeiro Ministro inglês, Boris Johnson, era contra o isolamento social. Ele defendia que todos se contaminassem livremente, para imunizar o rebanho. A virose cumpriria o ciclo natural de todas a epidemias. Ocorre que essa Peste tem os seus caprichos.

Não só Boris Johnson, como Donald Trump, e outros menos votados, foram obrigados a reconhecer as evidências e mudaram de comportamento político.

O governo brasileiro resiste na tese, o isolamento social quebrou a economia. Acha que as mortes são contingências inevitáveis, marcou até um churrasco para comemorar os dez mil óbitos.

No final da Pandemia, enterrados os mortos, apurado os gastos sem licitação (muitos cairão nessa ratoeira), desmontados os hospitais de campanha, guardados os respiradores para a próxima Peste, o Brasil pegará fogo.

O Governo Federal partirá, dedo em riste, para responsabilizar politicamente os governadores pela quebra da economia. O doutor guedes, avançará velozmente no desmonte do Estado e das suas políticas sociais.

O SUS será acusado de inoperância e desmontado. Professores doutores da faculdade de medicina já estão avaliando a resolutividade comparativa entre as UTI públicas e as UTI privadas, para constarem a excelência do mercado.

Vamos descruzar os braços, gente, para não entregarmos as raras conquistas cidadãs de mão beijada.

Antonio Samarone.

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