VOLTA ÀS “AULAS” ( Gabriel Gomes )

Redação, 13 de Maio, 2020 - Atualizado em 13 de Maio, 2020

VOLTA ÀS “AULAS”
(Gabriel Gomes / 13-05-2020)

Não apenas como pai de alunas, mas também como professor das redes públicas de ensino dos estados de Alagoas e Sergipe, esperei o momento certo para me manifestar sobre o assunto, as tais “aulas remotas”. Depois de debates produtivos com alguns amigos professores da mesma área, faço questão de citá-los, Prof. Austeclino Dantas, Prof. Leonardo Batista e Prof. Vítor Eduardo, todos da rede pública de Sergipe e pais, consegui formar uma opinião acerca do tema em questão, que não necessariamente condiz com as atitudes que as respectivas secretarias estaduais poderão vir a tomar, frise-se: é apenas um ponto de vista.

Venho acompanhando “in loco” a enorme dificuldade para os dois lados, professor e aluno, adaptarem-se a essa forma de ensino/aprendizagem. Não que esse método seja uma novidade, já é usado em todo país em centenas de universidades, mas no ensino BÁSICO, hoje percebemos o quão estamos distante do ensino a distância.

Diariamente presenciamos relatos com os mais diversos problemas apresentados, tanto pelos alunos quanto pelos professores, é internet que não funciona, é aluno que mora em povoado onde sequer têm acesso à rede, é professor que não tem experiência com a tecnologia ou que não tem o traquejo, a expertise de um “youtuber” para gravar aulas ou fazer ‘lives’, a lista é grande.

Vale ressaltar o esforço das instituições de ensino público e privado, cada uma à sua maneira e com os recursos que possui, a fim de encontrar a melhor maneira de atender o mínimo possível seu público alvo, o alunado. Ainda assim, eu me questiono qual a efetiva produtividade e o rendimento dessas aulas remotas em meio a tantas provações. É claro e evidente que as aulas tradicionais, ao menos no ensino básico, não têm a menor chance de serem substituídas integralmente pelo sistema à distância, e, talvez, esse período porque passamos, seja mais um aprendizado para todos que integram a comunidade escolar, e a sociedade perceba a verdadeira importância que um professor tem para ela.

Não creio que exista um segmento sequer da sociedade civil organizada que não fora acometido pela pandemia, mas tenho convicção de que a educação de uma forma geral está entre as mais afetadas. Dito isso, e reafirmando que é apenas uma opinião pessoal, estou convencido de que, por mais transtornos que isso possa causar, o ano de 2020 deveria ser abolido e reiniciado em 2021.

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