Pandemia, a morte ronda Sergipe. (por Antonio Samarone)

Redação, 14 de Maio, 2020 - Atualizado em 14 de Maio, 2020

 


Até ontem (13/05), a Pandemia matou 294 mil pessoas no mundo. Os países mais atingidos foram EUA, com 82 mil, Reino Unido, com 33 mil e a Itália, com 31 mil mortos. O Brasil chegou a 13 mil óbitos.

Mesmo assim, tem muita gente minimizando. No Brasil, o combate a Pandemia tem oposição organizada. E não é pequena.

Os negacionistas usam os argumentos que aparecem. Ouvi de um jornalista: “todo mundo que morre, seja lá do que for, a causa é sempre o Corona. Morreu um caminhoneiro de Itabaiana, de acidente, foi sepultado como Corona. Desse jeito, disse ele!”

Tentei argumentar: você sabe quantas pessoas já morreram em Sergipe esse ano, de primeiro de janeiro até ontem, 13 de maio? Quantos desses morreram da Covid? Ele não sabia. Eu informei: Já morreram esse ano em Sergipe, 4.053 pessoas, e de Corona, 42 pessoas. Menos de um por cento.

A afirmativa que o Corona passou a ser a causa de todas os óbitos é uma grande mentira. Os dados desmentem!

Credo, ele se espantou. E morre tanta a gente assim em Sergipe? Morre! Apenas ninguém divulga, são mortes silenciosas. Só em Aracaju, são 11 sepultamentos por dia.
Já os 42 que morreram de Corona deram manchete.

No Brasil, em 2020, para os 13.266 que morreram de Corona até o dia 13/05, morreram 422.073 de outras causas. Entendeu? Ele resmungou. Mas permaneceu com a convicção que a Pandemia não existe, é inventada pela imprensa.

Os números da Pandemia de Corona são expressivos? Depende das comparações.

Entre 1918 e 1919, a Pandemia de Gripe Espanhola infectou um terço da população mundial e matou entre cinquenta milhões e cem milhões de pessoas - cerca de cinco a dez vezes o número de pessoas que morreram na Primeira Guerra Mundial.

Somente nos Estados Unidos, a Gripe Espanhola matou pelo menos 675.000 e fez a expectativa de vida cai em doze anos.

A taxa de letalidade é um indicador muito usado pela Saúde Pública, ela mede a proporção de óbitos sobre o número de casos diagnosticados. Simples, quantos morrem em cada cem doentes.

A taxa de letalidade no Brasil é 6,9%. A cada cem pessoas identificadas com a doença, 6,9 pessoas vão á óbito. Entre os Estados: Pará – 9,9%, Pernambuco – 8,2%, Amazonas – 7,3%, Ceará – 7.3%, Alagoas – 5,9%, Paraíba – 5,2%, Maranhão – 4,5%, Rio Grande do Norte – 4,4%, Bahia – 3,6% e Piauí – 3,2%.

Em Sergipe, a taxa de letalidade é 1,9%. Totalmente fora da curva. Os 42 óbitos por Corona, para os 2.268 casos até 13/05, estão sub notificados. Estão escondendo? Acho que não. É a qualidade do serviço.

Existe uma pista. De primeiro de janeiro a 13 de maio de 2019, morreram de pneumonia em Sergipe, 527 pessoas; no mesmo período de 2020, a pneumonia já matou 584 pessoas, 57 óbitos a mais, sem razões aparentes. Um parte desses óbitos por pneumonia pode ter sido por Corona, não diagnosticada. Uma suspeita a ser pesquisada.

O enfrentamento à Pandemia de Corona continua. Em pouco tempo, a ciência encontrará uma medida eficaz de combate.

A varíola devastou partes do globo, por séculos, matando cerca de um terço dos que a pegaram. A vacina, combinada com financiamento e vontade política, erradicou oficialmente a doença em 1980.

Somente em 1967, dois milhões de pessoas morreram de varíola. Foi a última grande colheita de mortos pela varíola.

A poliomielite também foi quase erradicada, embora não totalmente. Apenas trinta anos atrás, a poliomielite era comum em 125 países. Hoje, é endêmico em apenas três: Afeganistão, Nigéria e Paquistão.

Existem mais de cem vacinas contra o Coronavírus em desenvolvimento pré-clínico, mais de setenta deles estão sendo rastreados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A ciência tem créditos com a Saúde Pública.

Antonio Samarone.

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