O Inconsciente Digital da Pandemia. (por Antonio Samarone)

Redação, 18 de Maio, 2020 - Atualizado em 18 de Maio, 2020

 

A tendência de crescimento da Pandemia em Sergipe, apontada pelo observatório da Fiocruz, está se confirmando. A Peste continua avançando, com 3.343 casos e 57 óbitos.

Aracaju continua com uma taxa de isolamento social muita baixa (47%), quando o ideal é de 70%. Mesmo assim, no final de semana, uma brigada bolsonarista resolveu realizar uma carreata contrária as medidas de isolamento social. Dessa vez a polícia proibiu. Palmas!

Pelo Boletim Epidemiológico do Estado, a cidade de Riachuelo tem uma taxa de isolamento social de 71%. Um belo exemplo!

Esse fato é uma decisão espontânea da população, o Poder Público lá é eficiente ou as duas coisas? Riachuelo tem muito a nos ensinar.

O “Comitê Sergipano Popular Pela Vida”, publicou uma Carta Aberta ao Governador, apoiando medidas duras e necessárias de isolamento social. A carta, bem elaborada e consistente, foi assinada por 38 entidades populares.

Eu me senti representado pelo MOPS – Movimento Popular de Saúde.

Completei ontem dois meses de confinamento rigoroso. Uma nova rotina de vida, só com a família. Estabelecendo com o Mundo, somente relações virtuais. As redes sociais assumiram o comando das relações humanas.

Uma heresia: não sei o que seria do confinamento sem esse mundo virtual. Seria um horror! Será se já contrair o vício? A Era digital nos salva ou nos condena?

Hoje o Big Data sabe sobre mim o que eu desconheço. Sabe o que eu penso, sinto e acredito.

Dizem que quando opinamos nas redes, mesmo uma curtida banal, uma máquina inteligente anota tudo, e através de algoritmos, alcança as profundezas da nossa alma.

Todos os cliques que fazemos são salvos. Deixamos os nossos rastros digitais. É a Sociedade da transparência e da vigilância.

Como vou me precaver dessa manipulação? Talvez a minha desconfiança provinciana ajude.

Por isso, recebemos muitas mensagens que confirmam o que acreditamos. As vezes coisas visivelmente distorcidas, dados maquiados, meias verdades, mas eles espionaram antes a nossa alma, e nós somos aquilo. As mensagens são dirigidas, levam em conta as nossas profundezas.

Muitas vezes negamos: não, eu não concordo, isso vai de encontro aos meus princípios. Mas os algoritmos vão além das aparências. Os analistas freudianos ficam surpresos, eles sabem sobre a nossa alma, coisas que nem os sonhos revelam.

Os sonhos revelam apenas o inconsciente pulsional.

Por isso pessoas descentes repassam muita porcaria nas redes sociais. Muito lixo ideológico, mentiras, monstruosidades. Não estão fazendo isso por militância política. É a sua alma se revelando.

Se a gente perguntar a certas pessoas descentes: vocês acham que Pandemia é uma gripezinha e 16 mil morte uma coisa normal? Elas respondem enfaticamente: claro que não! Mas quando essas mesmas pessoas descentes, recebem um vídeo dizendo que aqueles caixões que assistimos na TV são vazios, ou cheios de pedras, elas repassam imediatamente o vídeo em suas redes sociais.

Essas pessoas descentes acreditam mesmo em quê? O algoritmo está certo?

A análise do Big-Data revela modelos de comportamentos que tornam as previsões possíveis. Abriu as portas do conhecimento do ser humano, o que ele faz e o que ele é capaz de fazer. Coisas que o Cão desconfia.

Nos ensina Byung-Chul Han:

“O Data-Mining tornou visível os modelos coletivos de comportamentos, dos quais não se está, enquanto individuo, nem sequer consciente. Assim, ele tornou acessível o inconsciente coletivo”.

Antonio Samarone.

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