Entenda por que crianças são menos afetadas pela covid-19

Redação, 19 de Maio, 2020 - Atualizado em 19 de Maio, 2020


Relatórios da covid-19 em todo o mundo mostram que bebês e crianças são menos afetados pela doença em comparação com adultos e idosos. No maior estudo de casos de pacientes pediátricos publicados até o momento, realizado por pesquisadores chineses entre 16 de janeiro e 8 de fevereiro, foram analisadas 2.135 crianças de 7 anos, em média, com suspeita ou confirmação de covid-19. Destas, 728 estavam, de fato, infectadas pelo vírus.

Entre os casos confirmados, 94 (4,4%) foram classificados como assintomáticos, 1.088 (51%) foram classificados como leves e 826 (38,7%) foram classificados como moderados – juntos, eles representam 94,1% dos casos confirmados.

Segundo o artigo “As características intrigantes da covid-19 em crianças e seu impacto na pandemia”, publicado no Jornal da Academia Americana de Pediatria, em 15 de abril, a hipótese mais aceita pode estar relacionada à presença de uma enzima (ACE2) nas células pulmonares.

 
“A ACE2 é o receptor da Sars-CoV-2 [o vírus causador da covid-19], necessária para sua entrada na célula humana. Como o pulmão das crianças ainda está em desenvolvimento, elas têm menos enzimas ACE2”, explica a pediatra Isadora Rossi.

A especialista alerta, no entanto, para o fato de que crianças podem ser transmissores assintomáticos. “Apesar de crianças serem menos atingidas pela covid-19, crianças infectadas apresentam a mesma carga viral, isto é, quantidade de vírus presente no corpo, que um adulto infectado. Os pais ou responsáveis devem tomar muito cuidado na hora de limpar as fezes da criança, pois o vírus é eliminado por lá.”

Embora sejam menos afetados, a médica ressalta que bebês e crianças devem se proteger da covid-19. Como a contaminação ocorre por gotículas respiratórias ou contato físico direto, aglomerações devem ser evitadas e os pequenos devem ser mantidos a uma distância de 2 metros de outras pessoas. "Assim, a gotícula não vai atingi-lo. Outra recomendação é lavar a mão do bebê sempre que puder. Isso diminui muito as chances de contaminação", explica.

O uso de máscaras é recomendado para crianças a partir dos 2 anos de idade. “Antes disso, elas não conseguem parar quietas com a máscara, e também têm a mania de ficar colocando a mão no rosto – o que aumenta o risco de contaminação. Além disso, existe um outro fator, que é o risco de sufocamento”, orienta a pediatra.

Por R7 / FM Itabaiana

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