Saiba como prevenir lesões na pele por uso prolongado de EPIs

Especialista da S.O.S. Vida ensina como evitar alterações na pele, que afetam principalmente os profissionais de saúde, mas também podem atingir outras pessoas que usam máscaras por longo período

Redação, 21 de Maio, 2020 - Atualizado em 21 de Maio, 2020


Com o avanço da pandemia, surgem nas redes sociais fotos de profissionais de saúde com os rostos marcados pelo uso de máscaras e protetores faciais. Alguns casos, os profissionais apresentam lesões de pele causadas pelo uso prolongado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), indispensável para o enfrentamento ao novo Coronavírus. O desconforto e até mesmo alterações na pele já foi observado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou que para necessidade de cuidados específicos para o sobre o uso superior à 4 horas.

Um levantamento feito em um hospital de referência para atendimento de Covid-19 na China apontou que 97% dos trabalhadores apresentaram alterações na pele em decorrência do uso dos EPIs. Apesar de ser mais comum em quem trabalha na assistência à pacientes, o problema também pode afetar outras pessoas que estão usando máscaras por um longo período. Há registro de dermatite e dermatoses, as lesões por pressão, combinação de fricção e acúmulo de umidade com a utilização da máscara sob face.

De acordo com a enfermeira Ana Gonzaga, supervisora do programa de Cuidados com a Pele da S.O.S. Vida, o problema é de fácil tratamento no início, mas pode se agravar se não for devidamente tratado. “Lesões de pele podem parecer ocorrências simples, iniciando de maneira superficial com surgimento de marcas, hiperemia, conhecida popularmente como “vermelhidão”, podendo evoluir com piora, como o aumento do comprometimento cutâneo, trazendo consequências à saúde do profissional, que pode ser afastado da assistência, já que a ferida representa uma porta aberta para infecções, colocando ele ainda mais em risco", explica.

As lesões por uso de EPIs ocorrem principalmente na região do osso nasal, bochechas e testa. As mãos também podem ser afetadas por conta da utilização contínua de luvas e álcool, o que pode causar irritação, ressecamento e dermatite. Algumas medidas preventivas podem ajudar a fortalecer a pele, evitando as lesões. "É importante realizar descompressão na face, programando minutos de alívio de pressão, por pelos 15 minutos a cada 2 horas, levantando as laterais da máscara. Mas é necessário muito cuidado nessa prática, já que há risco de contaminação ao remover o equipamento. Por isso, é recomendável fechar os olhos e prender a respiração na expiração, evitando a transmissão por aerossol no momento de remoção”, recomenda a enfermeira.

 

Ana Gonzaga também orienta limpar o rosto e mãos com sabonete líquido de pH neutro, utilizar creme hidratante, mas com o cuidado de não ter corante na composição. O produto também deve ter secagem rápido e não ter lipídios em sua composição, já que a oleosidade poderia provocar o deslocamento da máscara e reduzir a vedação do equipamento. Para as mãos, é aconselhável o uso de substância emoliente rico em vitamina E, com capacidade para hidratar, amaciar e suavizar a pele. Outra recomendação é aplicar uma cobertura profilática que ajuda a minimizar a pressão na pele, reduzindo a probabilidade de formar uma lesão. Há opções como espuma de poliuretano, silicone, película protetora, filme transparente ou placas de hidrocoloide, de espessura fina ou extrafina, para não comprometer a vedação da máscara.

 

A alimentação também pode auxiliar no tratamento e prevenção. De acordo com o Protocolo de Nutrição para tratamento de feridas da S.O.S. Vida, uma dieta baseada em proteína, vitamina C e minerais como zinco e ferro ajuda a construir colágeno para recuperar o tecido cutâneo. Essa dieta pode ser realizada por meio de alimentos naturais ou com o auxílio de suplementos, a depender de cada caso. A alimentação é um importante recurso para regenerar áreas já afetadas por lesões, mas também para fortalecer o organismo e prevenir lesões.

 

Nos quadros onde já há lesão na pele, o indicado é intensificar os cuidados, utilizar as cobertura profilática, que também ajuda no tratamento, e buscar orientação de um especialista. A depender do grau de comprometimento da pele, o paciente pode ser afastado do trabalho para reduzir o uso de EPIs, permitindo a recuperação da área afetada.

Por: Paula Pitta

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