Cloroquina aumenta o risco de morte e arritmia em caso de coronavírus, aponta estudo com 96 mil pacientes

Redação, 23 de Maio, 2020 - Atualizado em 23 de Maio, 2020


O maior estudo observacional sobre o uso da hidroxicloroquina para o tratamento de COVID-19 mostra que o medicamento causa um aumento nos casos de arritmia cardíaca e nas mortes de pacientes. Publicada nesta sexta-feira (22) na revista Lancet, a pesquisa coletou dados de mais de 96.000 pacientes de 671 hospitais dos seis continentes e analisou a diferença daqueles que receberam algum tratamento com a cloroquina e aqueles que não tomaram o medicamento.

Os cientistas dizem que os resultados apontam que não é possível confirmar benefícios no uso da cloroquina para o tratamento de COVID-19, seja usado sozinho ou em combinação com macrólidos (grupo de antibióticos como a azitromicina e claritromicina). A pesquisa aponta que o uso das drogas está associado com aumento das mortes de pacientes hospitalizados e aumento na frequência de taquicardia ventricular.

 


 

A análise foi baseada em dados de retrospectiva desses mais de 96.000 pacientes. Não se trata de um estudo controlado com grupos randomizados, considerado o padrão mais alto na ciência – porém, essa pesquisa corrobora outros estudos que já vêm indicando que o tratamento com hidroxicloroquina/cloroquina não traz benefícios.

A pesquisa foi liderada pelo pesquisador Mandeep R. Mehra, do Brigham and Women’s Hospital Heart and Vascular Center e Harvard Medical School, nos EUA, em conjunto com pesquisadores da Suíça e de outras universidades americanas.

Importe ressaltar que estes resultados dizem respeito ao uso de cloroquina ou hidroxicloroquina para tratamento de COVID-19. Esses medicamentos são seguros quando usados sob orientação médica para outras doenças, como malária ou lúpus.

 

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