Onde Erramos? (por Antonio Samarone)

Redação, 07 de Junho, 2020 - Atualizado em 07 de Junho, 2020

 

No Brasil, a economia está voltando ao normal bem antes do declínio da pandemia. Pelo contrário, a doença continua se expandindo.

Em Sergipe, (06/06) chegamos a 208 óbitos. O isolamento social está abaixo de 35%. Sendo mais direto, acabou! Nunca foi levado a sério pelas autoridades. Continuamos confinados por consciência própria.

Tenho defendido que nessa fase da Pandemia, a rede básica do SUS deveria entrar com ações de busca ativa, com participação popular, dentro do modelo da Brigada Emergencial de Saúde, proposto pelo do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Nordeste, coordenado por Nicolelis e Sérgio Resende.

As Brigadas iriam de casa, de vila em vila, de rua em rua, nos mercados, nos condomínios, percorrendo a cidade, em busca dos portadores assintomáticos. Identificar os que continuam transmitindo a doença, com muitos testes, testando todo o mundo. Esses transmissores assintomáticos seriam isolados, com rigorosa vigilância da Saúde Pública.

A testagem tanto identifica os disseminadores assintomáticos, para afastá-los comunidade, como identifica os já imunizados, facilitando a sua inserção normal na economia.

A abertura de um Shopping ou de uma grande empresa deveria ser antecedida da testagem de todos os trabalhadores e lojistas, mais importante do que a medição da temperatura nas portas de entrada.

Medir digitalmente a temperatura dar mais visibilidade, e passa a imagem de que providencias estão sendo tomadas. O termômetro digital impressiona, parece um equipamento que vê a doença na testa das pessoas. Puro mise-en-scène!

Simplificando: o caminho é busca ativa e testagem.

Infelizmente a proposta de Brigada Emergencial de Saúde foi esquecida em Sergipe. Talvez por falta de entendimento.

É visível a carência de profissionais da Saúde Pública, os tradicionais sanitarista, na coordenação técnica, foram substituídos pelas especialidades clínicas.

Muitos especialistas em detalhes, com visão crítica reduzida, comandam a Saúde em Sergipe. Gente bem comportada, estudiosa, mas obedientes ao comando político. Um ou outro que enxerga é sufocado.

A hegemonia da medicina de mercado contaminou o SUS, com a narrativa individual. A Saúde Pública tradicional, centrada na prevenção e em ações coletivas, com a participação popular, subordinou-se a força da medicina assistencial, centrada em procedimentos.

Em nenhum momento os gestores da Pandemia em Sergipe quiseram ouvir a sociedade, procuraram parceria com organizações comunitárias. Longe disso. Reforçaram a narrativa da Globo, onde as grandes empresas aparecem como benfeitoras, doando insumos.

Os Conselhos Locais de Saúde foram ouvidos? Os agentes comunitários, profundos conhecedores da realidade local, foram consultados? Qual foi a participação social no enfrentamento da Pandemia.

Os gestores públicos pensaram que comandariam as pessoas baixando decretos. Vocês entenderam por que a doença se propagou livremente no Brasil, não tomando conhecimento das autoridades?

A história cobrará a responsabilidade pela arrogância dos gestores da Pandemia em Sergipe.

Só se estabelece na gestão pública da Saúde em Sergipe, quem fizer voto de obediência.

Em primeiro de junho, o Comitê Científico do Nordeste fez recomendações para Aracaju intensificar as medidas de isolamento social. Foi literalmente ignorado. As vezes tenho a impressão de que esse pessoal do Comitê não conhece Sergipe.

O Prefeito da Capital postou em suas redes sociais que o município já gastou 45 milhões com a covid – 19. Não foi pouco! Resta saber se os recursos foram utilizados adequadamente.

Um grupo de parlamentares, de vários Partidos, ingressaram no MPF com denuncia de uso indevido dos recursos por parte da Prefeitura de Aracaju, sobretudo na construção do polêmico hospital da campanha. Vamos aguardar!

A nível nacional a tragédia se aprofundou.

O Ministério da Saúde resolveu esconder os dados. Acha que os estados e os municípios estão inflando as mortes para receberem mais verbas.

A medida gerou protestos do mundo científico, a ponto do observatório da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, ter retirado o nome do Brasil das análises. Depois retornaram.

Perdemos de vez o respeito internacional?

Antonio Samarone.

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