A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a reabertura da unidade da Química Amparo, fabricante da marca Ypê, localizada em Amparo (SP), após constatar correções em falhas sanitárias apontadas em inspeções anteriores. A decisão permite que a fábrica retome as operações imediatamente e que produtos fabricados a partir de 1º de abril de 2026 voltem a ser comercializados.
O que mudou
Em fiscalização conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária de Amparo, a Anvisa avaliou o plano apresentado pela empresa para sanar 76 exigências identificadas em inspeção realizada em abril. Entre as medidas exigidas estavam a melhoria dos processos produtivos, aprimoramento do rastreamento de lotes, reforço no controle de qualidade e monitoramento de riscos sanitários.
O presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou em nota que a unidade passou a reunir as condições necessárias para operar de forma segura e oferecer produtos sem risco sanitário para a população. A Anvisa informou que seguirá acompanhando as ações corretivas implementadas pela Química Amparo.
Produtos liberados
Segundo a agência, itens produzidos na planta a partir de 1º de abril de 2026 podem voltar ao mercado e ser usados normalmente. A liberação abrange, entre outros, lava-roupas líquidos, detergentes lava-louças líquidos e desinfetantes fabricados após essa data.
Produtos suspensos
Apesar da retomada parcial, parte da linha da Ypê permanece proibida para venda e uso. A restrição vale para detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes terminados em “1” e produzidos até 31 de março de 2026. A Anvisa determinou que esses lotes permaneçam armazenados em local seguro e não sejam descartados; a liberação dependerá da apresentação de laudos por laboratórios autorizados pela agência.
Entenda o caso
A crise teve início em 7 de maio, quando a Anvisa suspendeu a comercialização de mais de 100 lotes da Ypê após identificar irregularidades graves nos processos de fabricação da unidade de Amparo. A fiscalização apontou 76 não conformidades sanitárias e risco de contaminação microbiológica nos produtos.

O episódio chamou atenção por um incidente anterior, em novembro de 2025, quando houve detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da linha lava-roupas. A Anvisa ressaltou que a bactéria é comum no ambiente — água, solo e locais úmidos — e normalmente não causa danos a pessoas saudáveis, mas pode provocar infecções em indivíduos imunocomprometidos, como pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, idosos e pessoas com comprometimento do sistema imunológico.
Fiscalização contínua
A agência informou que manterá a vigilância sobre a empresa para verificar a permanência das medidas exigidas. Produtos ainda suspensos só poderão retornar ao mercado após a apresentação e análise de novos testes laboratoriais autorizados pela Anvisa.
Com informações de Agência Brasil
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