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Educação

Silvio Meira diz que é preciso “desaprender” para conviver com a inteligência artificial

O engenheiro e escritor Silvio Meira afirmou que a sociedade precisa “desaprender” práticas antigas para conviver com a inteligência artificial...

20/05/2026 · 10h35
Silvio Meira diz que é preciso “desaprender” para conviver com a inteligência artificial

O engenheiro e escritor Silvio Meira afirmou que a sociedade precisa “desaprender” práticas antigas para conviver com a inteligência artificial (IA). A declaração foi feita durante as comemorações dos 30 anos do Centro de Estudos Avançados do Recife (CESAR), organização criada em 1996 por professores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE) que ajudou a germinar o Porto Digital, hoje concentrando quase 500 empresas de tecnologia no Recife Antigo.

Meira, um dos fundadores do CESAR, retornou ao Conselho de Administração da instituição e explicou que o impacto da IA na capacidade cognitiva humana é comparável a grandes rupturas tecnológicas, como a invenção da imprensa com tipos móveis, de Gutenberg, em 1450. Segundo ele, a IA “imita” a inteligência informacional — isto é, a habilidade de captar, processar, armazenar e recuperar informação — e executa atividades repetitivas cognitivas em escala muito maior e a custo bem mais baixo.

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Como exemplo prático, Meira citou o trabalho de um clínico geral que pede muitos exames e receita vários medicamentos sem avaliar profundamente o paciente, comparando esse comportamento a uma automação que pode ser substituída por sistemas. Ele também afirmou que IAs já produzem cerca de 95% do código escrito por humanos e, em muitos casos, com qualidade equivalente ou superior, mas ressaltou a necessidade de validação humana, porque os modelos são probabilísticos e podem gerar resultados errados apesar de parecerem coerentes.

No CESAR e em empresas do Porto Digital, disse Meira, há discussões frequentes sobre o tema desde 2018, quando foi realizado o primeiro evento local sobre o impacto da IA nos negócios de tecnologia. Ele relatou que, em spin-offs do CESAR, existe uma regra: é proibido trabalhar sozinho — cada profissional deve contar com um agente inteligente construído pela equipe para automatizar tarefas repetitivas em áreas como recursos humanos, atendimento e marketing.

Meira advertiu que a adoção da IA altera profundamente a dinâmica de trabalho e de competição empresarial. Usou uma comparação histórica para ilustrar a velocidade da mudança: em 1903 os Estados Unidos venderam 11 mil automóveis e 2,5 milhões de carroças; em 1913, 3,6 milhões de carros e quase nenhuma carroça. Em um exemplo atual, um projeto que levava seis meses e dez pessoas pode ser realizado em um mês por quatro pessoas, representando um ganho de produtividade de 15 vezes.

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O desafio, segundo ele, não é apenas a substituição de atividades repetitivas — que já afetam entre 10% e 95% do trabalho em diferentes áreas — mas a necessidade de reorganizar funções humanas para validar, especificar e articular usos mais complexos da tecnologia. Meira disse que, em até três anos, muitos processos poderão estar totalmente impactados pela IA, sem que isso signifique necessariamente a exclusão do fator humano.

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Sobre regulação e plataformas digitais, Meira defendeu transparência e limites para práticas que prejudiquem a democracia e a reputação das pessoas. Citou a experiência chinesa de criar camadas regulatórias em plataformas e exemplos de restrição de jogos eletrônicos para menores como formas de controle social e consenso. No caso brasileiro, classificou como “incompetência” a ausência de avanços regulatórios nos últimos mandatos e criticou a influência de lobbies que dificultaram a criação de normas específicas para plataformas e IA, mesmo com a existência da lei de proteção de dados.

A repórter viajou a convite do CESAR Beat.

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O engenheiro e escritor Silvio Meira afirmou que a sociedade precisa “desaprender” práticas antigas para conviver com a inteligência artificial (IA). A declaração foi feita durante as comemorações dos 30 anos do Centro de Estudos Avançados do Recife (CESAR), organização criada em 1996 por professores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE) que ajudou a germinar o Porto Digital, hoje concentrando quase 500 empresas de tecnologia no Recife Antigo.

Meira, um dos fundadores do CESAR, retornou ao Conselho de Administração da instituição e explicou que o impacto da IA na capacidade cognitiva humana é comparável a grandes rupturas tecnológicas, como a invenção da imprensa com tipos móveis, de Gutenberg, em 1450. Segundo ele, a IA “imita” a inteligência informacional — isto é, a habilidade de captar, processar, armazenar e recuperar informação — e executa atividades repetitivas cognitivas em escala muito maior e a custo bem mais baixo.

Como exemplo prático, Meira citou o trabalho de um clínico geral que pede muitos exames e receita vários medicamentos sem avaliar profundamente o paciente, comparando esse comportamento a uma automação que pode ser substituída por sistemas. Ele também afirmou que IAs já produzem cerca de 95% do código escrito por humanos e, em muitos casos, com qualidade equivalente ou superior, mas ressaltou a necessidade de validação humana, porque os modelos são probabilísticos e podem gerar resultados errados apesar de parecerem coerentes.

No CESAR e em empresas do Porto Digital, disse Meira, há discussões frequentes sobre o tema desde 2018, quando foi realizado o primeiro evento local sobre o impacto da IA nos negócios de tecnologia. Ele relatou que, em spin-offs do CESAR, existe uma regra: é proibido trabalhar sozinho — cada profissional deve contar com um agente inteligente construído pela equipe para automatizar tarefas repetitivas em áreas como recursos humanos, atendimento e marketing.

Meira advertiu que a adoção da IA altera profundamente a dinâmica de trabalho e de competição empresarial. Usou uma comparação histórica para ilustrar a velocidade da mudança: em 1903 os Estados Unidos venderam 11 mil automóveis e 2,5 milhões de carroças; em 1913, 3,6 milhões de carros e quase nenhuma carroça. Em um exemplo atual, um projeto que levava seis meses e dez pessoas pode ser realizado em um mês por quatro pessoas, representando um ganho de produtividade de 15 vezes.

O desafio, segundo ele, não é apenas a substituição de atividades repetitivas — que já afetam entre 10% e 95% do trabalho em diferentes áreas — mas a necessidade de reorganizar funções humanas para validar, especificar e articular usos mais complexos da tecnologia. Meira disse que, em até três anos, muitos processos poderão estar totalmente impactados pela IA, sem que isso signifique necessariamente a exclusão do fator humano.

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Sobre regulação e plataformas digitais, Meira defendeu transparência e limites para práticas que prejudiquem a democracia e a reputação das pessoas. Citou a experiência chinesa de criar camadas regulatórias em plataformas e exemplos de restrição de jogos eletrônicos para menores como formas de controle social e consenso. No caso brasileiro, classificou como “incompetência” a ausência de avanços regulatórios nos últimos mandatos e criticou a influência de lobbies que dificultaram a criação de normas específicas para plataformas e IA, mesmo com a existência da lei de proteção de dados.

A repórter viajou a convite do CESAR Beat.

 

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