O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu que seguirá viajando pelo Brasil, mesmo diante das restrições impostas pelo chamado “defeso eleitoral”. O Palácio do Planalto está ajustando a agenda do mandatário para que as visitas estejam em conformidade com as regras, evitando possíveis penalizações pela Justiça Eleitoral.
De acordo com fontes próximas à organização, as viagens de Lula a partir de agora não incluirão anúncios ou inaugurações. Além disso, a estrutura dos eventos será planejada para evitar slogans e qualquer tipo de publicidade institucional. Os auxiliares do presidente também esperam que parte dos discursos seja substituída por entrevistas à imprensa.
Como ocorreu antes do início do defeso eleitoral, que teve início em 4 de julho, o presidente continuará a priorizar os principais colégios eleitorais do país. Recentemente, Lula concentrou suas agendas fora de Brasília em estados do Sudeste e Nordeste. Seu primeiro compromisso durante as restrições ocorrerá em São Paulo, onde ele passará o final de semana em sua residência na capital paulista. Na segunda-feira (11), Lula visitará São Caetano do Sul e São José dos Campos, com paradas no Instituto Mauá de Tecnologia e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
A decisão do presidente leva em conta que seus principais adversários nas eleições continuarão com uma agenda intensa pelo Brasil antes do início oficial da campanha. Ao decidir continuar a viajar, Lula chegou a se referir à regra como uma “papagaiada desgraçada”.
A partir da última semana de julho, as convenções partidárias devem começar a competir por espaço na agenda de viagens de Lula, conforme esperado por aliados. O PT (Partido dos Trabalhadores) acredita que a presença do presidente nesses eventos pode impulsionar seus principais candidatos a governos estaduais.
Lula tem pelo menos duas visitas programadas a São Paulo antes do início da campanha: uma para a convenção que lançará Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes, em Campinas, no dia 25 de julho, e outra para a oficialização de sua própria candidatura à reeleição, na capital paulista, no dia 2 de agosto.
Pré-candidatos da base aliada que contam com o apoio do PT também estão se organizando para garantir a presença de Lula em suas convenções. Um exemplo é Juliana Brizola (PDT), que disputou no Rio Grande do Sul e formalizou um pedido ao presidente.
A campanha começará efetivamente no dia 16 de agosto, quando diversas restrições deixarão de vigorar, permitindo pedidos de voto, distribuição de material gráfico, comícios, carreatas e impulsionamentos pagos na internet.
O governo Lula decidiu adotar regras mais rígidas para publicidade e redes sociais, preocupado com as restrições impostas pela Justiça Eleitoral. Essa decisão surpreendeu alguns integrantes da Esplanada dos Ministérios, que sentem que as novas normas são mais severas do que o habitual para períodos pré-eleitorais.
A avaliação na Esplanada é que o endurecimento das regras foi recebido com um certo “susto” por parte das pastas. Nos bastidores, alguns ministros manifestaram dúvidas sobre as novas restrições e têm evitado entrevistas à imprensa. A Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu, nos últimos meses, aumentar a rigidez das orientações para evitar punições, realizando mais de 50 reuniões com consultores jurídicos dos ministérios.
Além disso, a AGU produziu um documento extenso, com mais de 100 páginas, intitulado “Condutas Vedadas aos Agentes Públicos Federais nas Eleições de 2026”. Os ministros foram orientados a consultar a Câmara Nacional de Direito Eleitoral da AGU em casos específicos.
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