A produtora sergipana Floriô de Cinema, após uma década de atuação em festivais de prestígio, prepara-se para um novo desafio: a produção de seu primeiro longa-metragem, intitulado Abya Yala. Este marco surge em um momento de expansão da empresa, que também busca fortalecer projetos voltados para a formação de profissionais e o desenvolvimento do audiovisual na região Nordeste.
A Floriô de Cinema foi fundada em 2016 por um grupo de estudantes do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Desde seu início, a produtora se destacou em um cenário onde a infraestrutura para a produção cinematográfica no estado era limitada. Com o passar dos anos, a Floriô conquistou reconhecimento por meio de suas obras, que foram exibidas em festivais renomados, como a Mostra de Cinema de Tiradentes, Festival de Gramado e Festival Guarnicê.
A diretora e roteirista Carolen Meneses, uma das fundadoras da Floriô, destacou a trajetória da produtora:
“A Floriô nasceu como Floriô Filmes, formada por jovens estudantes que compartilhavam o sonho de fazer florescer o cinema em um território marcado pela escassez de recursos, mas abundante em identidade e histórias pulsantes. Em 2020, retomamos as atividades com uma nova formação, muito mais madura, ampliando nossas conexões no Brasil e no exterior para fortalecer e impactar a produção local.”
Entre os destaques da produtora estão os curtas-metragens como Ímã de Geladeira, que foi premiado no Festival de Gramado, e ANARRIÊ, que teve uma trajetória de mais de 40 festivais. O próximo passo, Abya Yala, já recebeu aprovação para produção pela Lei Paulo Gustavo. Além disso, a Floriô está desenvolvendo outros três longas e duas séries, com lançamentos previstos para 2027.
O diretor e produtor Neto Astério afirmou:
“Esses dez anos marcam um projeto de vida que segue de pé. Escolhemos continuar produzindo em Sergipe porque entendemos que nossos projetos só podem ser realizados neste lugar, por estarem conectados ao território e às pessoas que o constroem.”
A Floriô também se destaca na formação de novos profissionais do setor, por meio do Pólen das Artes, que já beneficiou mais de 150 participantes com cursos e oficinas, e do CRIAS – Cine de Rua Infantil de Sergipe, um projeto itinerante que promove exibições gratuitas de cinema brasileiro.
O diretor Sidjonathas Araújo compartilhou a visão para a próxima década, afirmando que o objetivo é expandir a presença da produtora no mercado audiovisual:
“Queremos fortalecer as conexões artísticas construídas em Sergipe e contribuir para um cinema comprometido com a transformação social e a circulação de histórias que ainda encontram poucos espaços de visibilidade.”
Por fim, a diversidade de narrativas continua a ser um foco central da Floriô. A roteirista e produtora Thaís Galindo Ramos ressaltou:
“Acreditamos que fazer cinema em Sergipe, a partir de quem somos e de onde viemos, é também garantir que histórias historicamente silenciadas encontrem espaço nas telas e no imaginário coletivo.”
Com a celebração de dez anos, a Floriô de Cinema contabiliza mais de quinze curtas-metragens produzidos, três longas e duas séries em desenvolvimento, consolidando uma atuação que integra produção, distribuição, formação e difusão cultural.

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