O MEC divulgou os novos dados do Ideb: a escola mantida pelos Amigos do Bem em Inajá registrou 9,8. Em 2009 a nota era 3,5, mostrando avanço expressivo no ensino fundamental.
O Ministério da Educação divulgou dados recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que é o principal indicador de qualidade da educação básica no Brasil. Um dos destaques positivos é o desempenho de uma escola localizada em Inajá, no sertão de Pernambuco, mantida pela organização Amigos do Bem.
A unidade obteve a nota impressionante de 9,8 no Ideb, um resultado que se torna ainda mais significativo ao se considerar que, quando a organização chegou à região em 2009, a escola tinha apenas 3,5. Essa trajetória revela avanços no ensino fundamental, embora também destaque desafios persistentes no ensino médio e as profundas desigualdades entre os estados brasileiros.
Alcione Albanesi, CEO do Amigos do Bem, comentou sobre as condições em que a escola opera. A unidade está situada em uma área com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,523, um nível comparável a regiões da Etiópia, segundo informações fornecidas. Na localidade, 33% da população é analfabeta, e muitas crianças precisam percorrer até 30 quilômetros para chegar à escola, frequentemente a pé ou em carroças, uma vez que o ônibus escolar não atende a todas as áreas.
“Nós pegamos uma escola com Ideb 3,5 e começamos a trabalhar com esforço, com dedicação, com uma meta que foi evoluindo”, afirmou Alcione.
No Ideb anterior, a escola havia alcançado 9,2 e agora conquistou 9,8. Alcione enfatizou:
“A nossa meta é 10”.
A metodologia adotada pela organização se baseia no acolhimento. Alcione destacou que o trabalho começa antes mesmo do ensino de português e matemática:
“A gente entende a criança. O carinho é a base do nosso trabalho”.
Foi necessário primeiro convencer as famílias da importância de enviar os filhos para a escola, em uma região onde o trabalho na roça era considerado prioritário. A abordagem integra o combate à desnutrição, suporte psicológico para desenvolver autoconfiança nos alunos e acompanhamento pedagógico individualizado. Voluntários de São Paulo e pedagogos que visitam a escola mensalmente, assim como o apoio da Editora Aprender na alfabetização, também fazem parte da estrutura.
“Nós acreditamos que todo desenvolvimento e toda mudança começam de dentro para fora”, concluiu Alcione.
Os dados do Ideb mostram que, em relação ao Ensino Fundamental nos anos finais (6º ao 9º ano), a média subiu de 3,5 em 2005 para 5,3 em 2025, ficando apenas 0,2 abaixo da meta estabelecida. Para o Ensino Fundamental nos anos iniciais (1º ao 5º ano), a média nacional chegou a 6,3, com estados como Paraná, Ceará, Santa Catarina e São Paulo registrando notas próximas de 7.
O Paraná se destaca no topo do ranking em três eixos avaliados: Ensino Fundamental 1, Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio. Em contrapartida, estados como Amapá, Tocantins, Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso do Sul ficaram abaixo da média nacional em pelo menos um dos eixos. O Ensino Médio continua sendo o nível mais crítico, com uma média geral de 4,5, abaixo da meta de 5,2, embora tenha apresentado melhora em relação a 2005, quando registrava 3,4.
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