Especialistas e empresários debateram como transformar o fluxo diário de travessias na tríplice divisa em oportunidades para turismo, comércio e lojas francas. O encontro ocorreu na quinta-feira (27).
Todos os dias, milhares de pessoas atravessam as fronteiras brasileiras. Transformar esse fluxo em oportunidades para turismo, comércio, serviços e lojas francas foi um dos desafios debatidos por especialistas e empreendedores na quinta-feira (27), durante o encontro Construção do Futuro nas Fronteiras.
O evento foi realizado na tríplice divisa entre Barracão (PR), Dionísio Cerqueira (SC) e Bernardo de Irigoyen, na Argentina, pelo Sebrae Nacional e pelo Sebrae/PR, e reuniu representantes dos setores público e privado.
Deixar de ser lugar de passagem
A proposta central foi integrar turismo, comércio, gastronomia, hospedagem, transporte e eventos, de modo a ampliar o tempo de permanência e o consumo dos visitantes, segundo Luiz Antonio Rolim de Moura, coordenador de Mercado Empresarial do Sebrae/PR.
Precisamos criar condições para que esses territórios deixem de ser apenas locais de passagem. Quando conseguimos integrar turismo, comércio, serviços, lojas francas, gastronomia, hospedagem, transporte e eventos, ampliamos as possibilidades de permanência e consumo do visitante
Nas cidades chamadas de trigêmeas, onde a vida econômica e social ultrapassa diariamente os limites administrativos, a discussão apontou a necessidade de investimentos que estimulem comércio, hotelaria, serviços e novos atrativos turísticos.
O exemplo de Foz do Iguaçu
Marcelo Valente, da Loumar Turismo, de Foz do Iguaçu (PR), citou o caso da cidade como referência de integração regional.
Foz do Iguaçu começou a aumentar a recorrência e o tempo de permanência quando passou a pensar a região como um conjunto de experiências. Há alguns anos, o visitante permanecia em média dois dias; hoje, já caminhamos para quatro dias e meio e até cinco dias
Lojas francas e efeito no território
Representantes de lojas francas discutiram o papel dos free shops na atração de consumidores. Para Patrícia Feldman, da Diamond Duty Free, de Dionísio Cerqueira (SC), o impacto cresce quando há articulação entre setores.
Precisamos ter essa consciência de que o fluxo gerado pelas lojas francas pode ir além das compras. Quando existe integração entre os negócios e o território está preparado para receber esse consumidor, criamos oportunidades para que outros setores também sejam beneficiados
Desafios de quem empreende na divisa
Empreendedores que atuam nos dois lados da fronteira relataram dificuldades práticas, como diferenças legais e culturais e flutuações cambiais. Talita Casagrande, empresária que atua no Brasil e na Argentina, destacou a necessidade de preparo das equipes.
Empreender na fronteira é conviver diariamente com desafios como legislação, diferenças culturais e um câmbio que pode mudar rapidamente. Isso exige muita persistência e resiliência
Luciana Aguiar, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Socioeconômico Inclusivo do PNUD no Brasil, defendeu conectar as dimensões econômica, social e ambiental no planejamento das regiões de fronteira.
Precisamos olhar para as potencialidades dos territórios e ampliar as possibilidades de integração produtiva e de desenvolvimento das capacidades locais
O encontro seguiu até sábado (29), com atividades voltadas à troca de práticas e à discussão do desenvolvimento das regiões fronteiriças.
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