Nos dias 16 e 17 de setembro de 2026, o Mind Summit em São Paulo foca na relação entre trabalho e adoecimento mental. Pela primeira vez a programação inclui treinamentos práticos sobre prevenção do burnout.
A edição deste ano do Mind Summit, na capital paulista, nos dias 16 e 17 de setembro de 2026, dará ênfase a temas como o burnout. Focado em saúde mental no mundo do trabalho, o encontro também incluirá na programação, de modo inédito, treinamentos práticos ao longo dos dois dias.
O principal mote da edição será evidenciar a indissociabilidade entre bem-estar mental e as atividades laborais. Em conferências e workshops, a organização pretende discutir como o desenho do trabalho, a divisão de tarefas e as relações hierárquicas influenciam o adoecimento por estresse crônico e outros transtornos relacionados ao trabalho.
A psicóloga e economista Adriana Drulla, curadora do evento, chamará atenção para práticas organizacionais que transferem a responsabilidade pela saúde mental exclusivamente aos trabalhadores, sem mexer na estrutura produtiva que gera o problema.
“um equívoco de gestores, bastante comum, e que começa a ser desfeito na contemporaneidade, é propor que subordinados busquem atenuar emoções como o estresse usando soluções passageiras, caso das zonas de lazer com mesas de pingue-pongue e fliperamas”.
De acordo com a curadora, essas medidas são insuficientes quando não se atua na origem do problema.
“Isso faz com que as medidas sejam infrutíferas, por ignorar a esfera coletiva e não modificar a raiz dos adoecimentos, que são o fluxo acelerado e a divisão de trabalho e a dinâmica das relações nos mais diversos níveis de hierarquia”.
Adriana Drulla também defenderá a ideia de que o bem-estar no trabalho deve ser tratado como indicador de desempenho e de sustentabilidade organizacional.
“Todo o evento [Mind Summit] está construído em torno da tese de que se deve pensar na infraestrutura de performance. Se você quer ter um negócio que performa bem, dá mais lucro, você precisa olhar para esse indicador”.
Entre os workshops previstos, haverá sessões destinadas a ensinar gestores a melhorar o desenho do trabalho, manejar demandas e consolidar rituais de gestão que reduzam a exposição ao estresse crônico.
“É um olhar extremamente novo para um tema que é falado há muito tempo, mas visto sob o ponto de vista de benefício. Se você fala em bem-estar no trabalho, no que você pensa? Psicólogo, flexibilidade de home office, mindfulness [técnicas que condicionam a mente a privilegiar o momento presente], mesa de pingue-pongue”.
Em seguida, a curadora explicará que, com exceção da flexibilidade de home office, muitos dos elementos citados não atacam o modo como o trabalho é desenhado — e é esse desenho que produz estresse crônico.
“Com exceção da flexibilidade de home office, nenhum desses fatores têm a ver com o modo como o trabalho é desenhado em si, e é isso que produz o estresse crônico. Como a gente trabalha o estresse crônico na fonte? A gente vai trazer para a prática, ensinando a esses gestores, habilidades de gestão e outras, como se ter conversas difíceis, dar um feedback”.
Adriana Drulla acrescentará que evidências científicas apresentadas durante o evento devem ajudar a convencer chefias mais resistentes a implementar mudanças organizacionais.
“Diante de argumentos com o uso de dados, chefias com perfis mais conservadores veem as iniciativas como legítimas e cedem mais facilmente às adaptações ou transformações”.
Em plenárias, segundo a curadora, pesquisas conduzidas por especialistas brasileiros e estrangeiros terão como enfoque saúde mental, liderança, felicidade, burnout e cultura organizacional. Entre os palestrantes internacionais confirmados estarão referências acadêmicas nas áreas de segurança psicológica, avaliação do burnout e estudos sobre felicidade e desempenho.
Destaques internacionais
- Amy Edmondson — professora da Harvard Business School, referência em segurança psicológica.
- Christina Maslach — professora da Universidade da Califórnia em Berkeley e criadora do principal instrumento científico de avaliação do burnout.
- Jan-Emmanuel De Neve — catedrático da Universidade de Oxford e diretor do Wellbeing Research Centre, referência em pesquisas sobre felicidade, produtividade e desempenho.
- Sonja Lyubomirsky — professora da Universidade da Califórnia, Riverside, autora dos best-sellers The How of Happiness e The Myths of Happiness, considerada autoridade mundial na ciência da felicidade.
Serviço
- Data: 16 e 17 de setembro de 2026
- Local: Expo São Paulo – São Paulo (SP)
- Ingressos e programação: no site do evento
O enfoque do Mind Summit 2026 será mostrar caminhos práticos para que organizações reduzam riscos à saúde mental, por meio de mudanças no desenho do trabalho e de instrumentos de gestão que atendam tanto à produtividade quanto ao bem-estar dos trabalhadores.
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