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Educação

Educação e mobilidade dominam demandas nas favelas do Rio

Moradores de favelas do Rio apontam educação, mobilidade, emprego e combate ao racismo como prioridades para as eleições de outubro.

10/09/2026 · 00h00 · Atualizado às 08h35
Educação e mobilidade dominam demandas nas favelas do Rio

2,1 milhões de eleitores do estado moram em 1.724 favelas; na cidade, 1,3 milhão em 813 áreas. Censo 2022 do IBGE aponta falta de saneamento, água e presença estatal, e destaca educação e mobilidade.

No estado do Rio de Janeiro, 12,8 milhões de eleitores estão aptos a ir às urnas em outubro. Desses, 2,1 milhões vivem em uma das 1.724 favelas fluminenses, segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que essas áreas, apesar de antigas, ainda enfrentam maiores dificuldades de urbanização e de acesso a serviços e políticas públicas, evidenciando desigualdade na presença do Estado nesses territórios.

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Na cidade do Rio, 1,3 milhão de pessoas moram em uma das 813 favelas, áreas com menor ligação à rede de esgoto e água e cobertura reduzida da coleta de lixo, embora não sejam regiões homogêneas, como explica a professora de serviço social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eblin Farage, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares (NEPFE).

Com a proximidade da troca de governantes, moradores de favelas cariocas apontam demandas prioritárias para as comunidades: mobilidade, educação, cultura, lazer, saúde, participação social e emprego. A segurança é citada como preocupação, reflexo da ausência de ações permanentes nessas áreas e das operações policiais.

Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, moradora do Complexo do Alemão e participante de coletivos comunitários, irá às urnas pela primeira vez em outubro. Ela diz que considera perfis comprometidos com pautas negras, direitos humanos e com a população, além de candidatos dispostos ao diálogo.

“Muitas vezes, [governantes] chegam com respostas prontas, sem saber o que queremos, como achamos melhor, então, precisa [ser alguém] disposto a ouvir”.

Para Letícia, a mobilidade é prioridade. Ela afirma que o acesso à cidade é um desafio para moradores de áreas periféricas e cita a falta de linhas diretas entre norte e sul da cidade, o que limita o direito ao lazer e dificulta o acesso a empregos.

“Hoje você não tem um ônibus que saia do Alemão ou de qualquer favela [da zona norte] para zona sul. Eu sou jovem, ir à praia é uma demanda real, de direito ao lazer”.

Sobre programas de inserção de jovens no mercado, ela critica valores baixos de repasse e custos de deslocamento.

“Os valores [de repasse] são baixos, hoje, R$ 20 não pagam nem uma quentinha”.

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Da Rocinha, considerada a maior favela do Brasil com cerca de 72 mil habitantes, a jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, de 26 anos, destaca a falta de oportunidades profissionais. Formada há dois anos, ela já atuou no portal local e hoje trabalha como agente cultural em bairro próximo. Isabelle afirma que propostas para emprego e renda, incluindo o fim da escala 6×1, estão entre as prioridades.

“É muito difícil conciliar trabalho, família e estudo com essa rotina, principalmente, por causa dos grandes deslocamentos, caso das pessoas que moram em favelas”.

João*, jovem de 26 anos que vive de bicos e é pai de duas meninas, prioriza oferta de cursos técnicos e profissionalizantes. Ele relata interrupção frequente de turmas e a necessidade de políticas para crianças com deficiência e autismo, além de creches com mais mediadores.

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“Aqui, o curso começa, a gente até inicia, mas acaba antes de a gente concluir”.

“Eu ainda queria estudar, mesmo sendo difícil [trabalhar e estudar]. Falar um português melhor e ter uma vida melhor”.

A educadora popular e estudante de história Sara Sant’anna, de 24 anos, nascida na Favela do Rodo, reforça a demanda por centros culturais e polos de educação superior na zona oeste, citando a limitação de vagas públicas próximas à região e a distância de alternativas em Seropédica.

“Campo Grande é um dos maiores bairros do Brasil e a oferta de cursos superiores públicos aqui é limitada. A faculdade mais perto é longe, em Seropédica, a uma hora”.

Outra preocupação recorrente entre moradores de favela é a necessidade de ações que enfrentem o racismo e garantam acesso a serviços de saúde adequados. As prioridades apontadas pelas comunidades deverão influenciar decisões de voto em outubro, quando os eleitores irão às urnas.

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2,1 milhões de eleitores do estado moram em 1.724 favelas; na cidade, 1,3 milhão em 813 áreas. Censo 2022 do IBGE aponta falta de saneamento, água e presença estatal, e destaca educação e mobilidade.

No estado do Rio de Janeiro, 12,8 milhões de eleitores estão aptos a ir às urnas em outubro. Desses, 2,1 milhões vivem em uma das 1.724 favelas fluminenses, segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que essas áreas, apesar de antigas, ainda enfrentam maiores dificuldades de urbanização e de acesso a serviços e políticas públicas, evidenciando desigualdade na presença do Estado nesses territórios.

Na cidade do Rio, 1,3 milhão de pessoas moram em uma das 813 favelas, áreas com menor ligação à rede de esgoto e água e cobertura reduzida da coleta de lixo, embora não sejam regiões homogêneas, como explica a professora de serviço social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eblin Farage, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares (NEPFE).

Com a proximidade da troca de governantes, moradores de favelas cariocas apontam demandas prioritárias para as comunidades: mobilidade, educação, cultura, lazer, saúde, participação social e emprego. A segurança é citada como preocupação, reflexo da ausência de ações permanentes nessas áreas e das operações policiais.

Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, moradora do Complexo do Alemão e participante de coletivos comunitários, irá às urnas pela primeira vez em outubro. Ela diz que considera perfis comprometidos com pautas negras, direitos humanos e com a população, além de candidatos dispostos ao diálogo.

“Muitas vezes, [governantes] chegam com respostas prontas, sem saber o que queremos, como achamos melhor, então, precisa [ser alguém] disposto a ouvir”.

Para Letícia, a mobilidade é prioridade. Ela afirma que o acesso à cidade é um desafio para moradores de áreas periféricas e cita a falta de linhas diretas entre norte e sul da cidade, o que limita o direito ao lazer e dificulta o acesso a empregos.

“Hoje você não tem um ônibus que saia do Alemão ou de qualquer favela [da zona norte] para zona sul. Eu sou jovem, ir à praia é uma demanda real, de direito ao lazer”.

Sobre programas de inserção de jovens no mercado, ela critica valores baixos de repasse e custos de deslocamento.

“Os valores [de repasse] são baixos, hoje, R$ 20 não pagam nem uma quentinha”.

Da Rocinha, considerada a maior favela do Brasil com cerca de 72 mil habitantes, a jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, de 26 anos, destaca a falta de oportunidades profissionais. Formada há dois anos, ela já atuou no portal local e hoje trabalha como agente cultural em bairro próximo. Isabelle afirma que propostas para emprego e renda, incluindo o fim da escala 6×1, estão entre as prioridades.

“É muito difícil conciliar trabalho, família e estudo com essa rotina, principalmente, por causa dos grandes deslocamentos, caso das pessoas que moram em favelas”.

João*, jovem de 26 anos que vive de bicos e é pai de duas meninas, prioriza oferta de cursos técnicos e profissionalizantes. Ele relata interrupção frequente de turmas e a necessidade de políticas para crianças com deficiência e autismo, além de creches com mais mediadores.

“Aqui, o curso começa, a gente até inicia, mas acaba antes de a gente concluir”.

“Eu ainda queria estudar, mesmo sendo difícil [trabalhar e estudar]. Falar um português melhor e ter uma vida melhor”.

A educadora popular e estudante de história Sara Sant’anna, de 24 anos, nascida na Favela do Rodo, reforça a demanda por centros culturais e polos de educação superior na zona oeste, citando a limitação de vagas públicas próximas à região e a distância de alternativas em Seropédica.

“Campo Grande é um dos maiores bairros do Brasil e a oferta de cursos superiores públicos aqui é limitada. A faculdade mais perto é longe, em Seropédica, a uma hora”.

Outra preocupação recorrente entre moradores de favela é a necessidade de ações que enfrentem o racismo e garantam acesso a serviços de saúde adequados. As prioridades apontadas pelas comunidades deverão influenciar decisões de voto em outubro, quando os eleitores irão às urnas.

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