Ele começou tocando baixo em shows escolares e virou engenheiro de produção. A paixão pelo heavy metal o levou à gestão de grandes festivais; em 4 de outubro de 2019, escoltou seu ídolo no Rock in Rio.
Em relato pessoal, um executivo e conselheiro que começou como baixista descreve a trajetória que o levou dos palcos escolares às diretorias de grandes festivais de música do país. A história articula a paixão pelo heavy metal, a formação acadêmica em Engenharia de Produção e a transição para a gestão de eventos, com um episódio emblemático ocorrido em 04 de outubro de 2019, durante o Rock in Rio.
Muito antes de me tornar CEO e hoje conselheiro de um dos maiores festivais de música do mundo, eu queria estar em cima do palco. Engenheiro de produção por formação, executivo por profissão e hoje conselheiro de grandes empresas, foi ainda adolescente que encontrei no heavy metal uma de minhas grandes paixões. E, como acontece com muitos garotos fascinados por música, ouvir não era suficiente. Eu queria tocar.
Escolhi o baixo. E havia uma razão bastante objetiva para isso: Steve Harris. Fundador, compositor e baixista do Iron Maiden, Harris era um dos meus grandes ídolos. Comecei a estudar o instrumento e não demorou até formar minha primeira banda, uma cover justamente do Iron Maiden.
O primeiro show aconteceu onde tantas histórias musicais começam: no colégio. Diante de algumas centenas de alunos no tradicional sarau do Colégio de São Bento, no Rio de Janeiro, vivi pela primeira vez a sensação de subir em um palco e tocar para uma plateia. Naquele momento, seria difícil imaginar que música, palco e multidões continuariam presentes em minha vida décadas depois. Só que em uma escala e posição completamente diferentes.
A primeira banda deu lugar a uma segunda experiência, dessa vez autoral. A Horizon já representava um passo adiante. Entre os integrantes estava o vocalista Renato Tribuzy, que anos depois construiria uma carreira reconhecida na cena do heavy metal. Ao mesmo tempo, outra parte da minha vida avançava rapidamente. Eu havia entrado na faculdade de Engenharia de Produção na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e começava a enxergar um caminho profissional diferente pela frente. Até que, em algum momento, os dois mundos passaram a disputar algo cada vez mais escasso: tempo.
De um lado, ensaios, shows e a possibilidade de levar a música adiante. Do outro, a formação acadêmica e o desejo crescente de construir uma carreira ligada à gestão e aos negócios. Foi preciso escolher. Deixei a banda e, por algum tempo, parecia que aquela decisão também significaria deixar a música para trás.
No relato, a virada profissional ocorreu em sequência a cargos no mercado financeiro e a uma passagem marcante pela Osklen, onde assumiu a função de CEO aos 28 anos e permaneceu por 11 anos. A retomada do contato direto com a música veio em 2011, quando um headhunter o convidou para assumir a liderança executiva do Rock in Rio, em parceria com Roberto Medina. A partir daí, a atuação se estendeu a outros grandes eventos, incluindo The Town e Lollapalooza Brasil.
O episódio que resume a interseção entre os dois mundos aconteceu durante a noite em que o Iron Maiden foi a atração principal do festival. No dia 04 de outubro de 2019, além do show no Palco Mundo, havia uma apresentação de The Raven Age em outro palco, com George Harris — filho de Steve Harris — na formação. Segundo o relato, chegou à organização a informação de que Steve queria assistir ao show do filho e surgiu a proposta de levá‑lo, discretamente, ao backstage do palco da Rock District.
O plano mudou quando o baixista preferiu acompanhar a apresentação no meio do público. Com cerca de 100 mil pessoas no festival, a presença de Steve Harris ali representava um grande desafio de segurança. Ainda assim, ele dispensou o segurança, colocou um boné e seguiu até a plateia acompanhado apenas pelo narrador.
Não, não sou eu
No relato, um fã cruzou com os dois e, diante da semelhança, demorou alguns segundos até aceitar a negativa. Steve Harris permaneceu no meio do público para assistir ao filho, enquanto o narrador — o jovem que havia aprendido a tocar baixo inspirado em Harris — se viu ao lado do seu ídolo numa cena que fechou um ciclo pessoal: do palco do colégio ao mesmo festival que hoje ele ajuda a gerir.
O texto destaca, de forma direta e pessoal, como a paixão pela música e a carreira executiva coexistiram e se encontraram em uma noite que convergiu memória afetiva e responsabilidade profissional.

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