Varejista afirma que a IA acessou a loja sem se identificar como agente automatizado e sem autorização, além de expor dados de contas. O bloqueio impede que a ferramenta execute compras completas em nome do usuário.
A Amazon bloqueou a Muse, a nova inteligência artificial agêntica da Meta, de realizar compras em seu site em nome dos usuários. Segundo a varejista, a ferramenta acessava a loja sem identificar que era um agente automatizado e sem autorização prévia, além de levantar preocupações sobre o acesso a informações de contas de clientes.
A decisão afetou uma das principais propostas da Muse: executar tarefas completas para o usuário. Em vez de apenas recomendar produtos, a IA foi apresentada como capaz de abrir sites, pesquisar opções, preencher formulários e avançar até a compra, após pedir confirmação em etapas consideradas sensíveis.
Usuários que tentaram usar a ferramenta na Amazon passaram a receber um aviso apontando que o acesso de um agente não autorizado violava os termos de uso da plataforma.
agente de IA não autorizado
A Muse é um exemplo de IA agêntica, nome dado a sistemas capazes de executar ações e cumprir diferentes etapas de uma tarefa com algum grau de autonomia. Enquanto um chatbot convencional poderia responder
qual cafeteira comprar?
um agente pode receber uma instrução mais ampla, pesquisar opções em diferentes lojas, comparar preços, abrir páginas e preparar a compra.
Para operar, a Muse rodava em uma máquina virtual própria, chamada Muse Secure VM, que funciona como um computador separado na nuvem e possui seu próprio navegador. A IA podia navegar em páginas da web e interagir com serviços em nome do usuário. Quando um serviço tem interface de programação (API), a Meta declarou que a Muse poderia usá-la; na ausência dessa integração, a ferramenta conseguia abrir o site pelo navegador e utilizá-lo de forma semelhante a uma pessoa, clicando em elementos e preenchendo informações.
Foi justamente essa capacidade de navegar como um usuário que gerou o conflito com a Amazon. A varejista afirmou que a Meta não avisou previamente que a Muse acessaria sua loja e que o agente não se identificava como uma ferramenta automatizada durante a navegação. A empresa também destacou o risco de que a IA alcançasse áreas como histórico de pedidos e páginas de conta, o que, na avaliação da companhia, levantaria questões sobre segurança e tratamento de dados.
A Meta apresentou outra versão sobre a segurança da ferramenta, afirmando que a Muse não conseguia visualizar senhas ou formas de pagamento em texto aberto. Segundo a empresa, credenciais fornecidas pelo usuário ficavam em armazenamento protegido e podiam ser usadas pelo sistema sem que o modelo tivesse acesso direto a elas. Até a publicação das primeiras reportagens sobre o bloqueio, a Meta não havia apresentado uma resposta pública específica às acusações da Amazon.
O bloqueio ocorreu enquanto a própria Amazon vinha desenvolvendo ferramentas de comércio agêntico, como o Buy for Me, recurso capaz de comprar produtos em sites de outras marcas que, segundo a empresa, se identifica durante a operação e permite que as empresas optem por não participar. A companhia também vinha ampliando a Alexa para Compras, assistente que pesquisa produtos, compara alternativas e produz recomendações dentro da própria Amazon.
A disputa com a Meta integra um debate mais amplo sobre quem controla a experiência de compra quando IAs atuam diretamente na internet. Além das preocupações declaradas sobre segurança, há um interesse comercial importante: agentes que vão direto da busca à compra podem reduzir o tempo que usuários passam navegando pela loja e visualizando recomendações e anúncios. A publicidade da Amazon gerou mais de US$ 68 bilhões em 2025.
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