BC reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, citando desaceleração da atividade, perda de ritmo da inflação e impacto de juros altos sobre crédito e demanda. A ata divulgada terça traz detalhes da moderação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, e justificou a decisão pela desaceleração da atividade econômica, pela perda de ritmo da inflação e pelos efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda.
As razões para o corte constaram da ata da reunião, divulgada nesta terça-feira (22). O documento registrou que os indicadores publicados desde o encontro anterior apontaram moderação gradual da atividade, sobretudo nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, embora a economia continue resiliente e o mercado de trabalho permaneça aquecido.
A ata afirmou que a leitura mais recente do Produto Interno Bruto (PIB), relativa ao segundo trimestre, confirmou a desaceleração indicada por outros indicadores. Segundo o texto, o movimento de desaceleração foi mais intenso nas atividades e nos componentes da demanda mais sensíveis ao nível dos juros.
Sobre a dinâmica da demanda, o Copom ressaltou a importância do desaquecimento para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a convergência da inflação à meta:
“o arrefecimento da demanda agregada é elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”
No campo da inflação, a ata destacou que o índice ao consumidor perdeu força nos últimos meses. Tanto o índice cheio quanto a média das medidas subjacentes desaceleraram e, em 12 meses, passaram a ficar abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta, embora ainda permaneçam acima do centro da meta.
O documento também apontou o comportamento do mercado de crédito como fator relevante: os dados mais recentes foram avaliados como compatíveis com uma desaceleração do crescimento econômico em um ambiente de política monetária restritiva. O colegiado registrou que as evidências de transmissão da política contracionista para a atividade econômica vêm se acumulando gradualmente.
Ao avaliar o quadro de expectativas, o Copom manteve uma postura cautelosa. A ata lembrou que as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes considerados. A pesquisa Focus citada no documento trouxe projeções de 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.
“em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”
O texto também mencionou o aumento das incertezas no cenário internacional, citando tensões geopolíticas e dúvidas sobre a condução da política monetária nas principais economias avançadas. Entre fatores que poderiam reduzir a inflação, foram citadas uma desaceleração mais forte da economia brasileira e mundial e queda nos preços das commodities.
Por fim, a ata justificou que o corte de 0,25 ponto percentual é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante da política monetária, e informou que o colegiado continuará acompanhando a evolução do cenário econômico para manter o grau de restrição necessário ao controle da inflação.
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