Na 6ª edição, 100 unidades produtivas de 22 estados foram selecionadas entre 1.647 inscrições. Peças de folhas, sementes, argila e madeira reaproveitada revelam memória, sustentabilidade e geram renda.
Folhas transformadas em joias, sementes amazônicas que reproduzem o movimento dos rios, argila moldada em lembranças familiares e madeira descartada que vira luminária. Entre matérias-primas, técnicas e regiões do país, os vencedores do Prêmio TOP 100 de Artesanato mostram como o trabalho manual pode preservar histórias, valorizar a natureza e gerar oportunidades de negócio.
A 6ª edição da premiação reconheceu 100 unidades produtivas de 22 unidades da Federação, selecionadas entre 1.647 inscrições. Os vencedores poderão utilizar o selo do prêmio por três anos, participar de ações de promoção comercial e divulgar três produtos no catálogo oficial do TOP 100. A cerimônia de premiação está prevista para novembro, no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro.
Em Taiobeiras (MG), Lucineia de Souza, conhecida como Neia, reapresentou sua trajetória marcada pela argila. Aprendeu a modelar ainda criança e, após a morte do pai, criou um quadro inspirado em foto antiga que preserva uma lembrança familiar. No TOP 100, ela inscreveu uma imagem de São Francisco e dois quadros, um de casal e outro de família. Depois de participar de outras duas edições, Lucineia integrou o grupo dos vencedores e celebrou a realização de uma promessa feita durante sua primeira feira no Expominas.
“Essa conquista representa um sonho e uma promessa que fiz a mim mesma”, disse Lucineia.
No Distrito Federal, a trajetória de Cleziania Ribeiro também é marcada pela memória familiar. Ela começou a trabalhar com barro aos 12 anos, em Alexânia (GO), observando a mãe produzir utensílios. Para o TOP 100 inscreveu o filtro Águas da Memória Candangas, a escultura Carinho de Mãe e a obra Passando Saberes, que representa uma mãe ensinando renda renascença à filha.
“Quero que as pessoas conheçam um pouco da nossa cultura, das nossas memórias e da nossa identidade por meio do meu trabalho”, afirmou Cleziania.
O design aliado ao meio ambiente aparece em Maringá (PR), com a MiYAMA Biojoias. A marca, criada por mãe e filha, desenvolveu processo artesanal de preservação e metalização de folhas e flores verdadeiras, sem moldes ou reprodução em série. Na primeira participação no TOP 100, a MiYAMA inscreveu o Colar de Orquídea, o Brinco Folha Mini-Antúrio e a Pulseira Renda Francesa.
“O reconhecimento valoriza uma trajetória construída desde as primeiras experiências com elementos naturais até a consolidação da marca como uma marca com identidade própria”, afirmaram as criadoras.
Em Rio Branco (AC), Rodney Paiva, à frente da Cores da Mata Biojoias, trabalha há mais de duas décadas com sementes, fibras naturais e resíduos florestais amazônicos. Na coleção Rios Amazônicos, o Colar Decorativo Catraia, o Max Colar Meandro e a Bolsa Encontro de Rios traduzem as curvas, as cores e o cotidiano das comunidades ribeirinhas.
“Essa peça foi desenvolvida para falar um pouco do nosso estado, com elementos como o açaí, a castanha, a jarina e a catraia, barquinho utilizado até hoje”, contou Rodney.
Em Aparecida de Goiânia (GO), Elismar Santos transforma madeira de reaproveitamento em luminárias com linhas definidas e acabamento refinado. Em sua estreia no TOP 100, apresentou a luminária Helicônia, a obra Gesto de Eva e uma luminária de mesa produzida com um tronco reaproveitado.
“Aquilo que é descartado por muitas pessoas ainda pode voltar a ser um produto de qualidade, um produto de luxo”, afirmou Elismar.
A premiação evidencia a diversidade de técnicas e a importância de ações de apoio que ajudaram os artesãos a profissionalizar produtos e acessar mercados nacionais e internacionais.



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