Após tempestade, Toyota reativou parcialmente a fábrica de Porto Feliz, com fundição e usinagem do motor 1.5 do Yaris Cross. A empresa opera em nova planta provisória e prevê capacidade plena e retorno do motor 2.0 em 2028, diz Gilberto Paulino.
A fábrica da Toyota em Porto Feliz (SP) foi duramente danificada após uma forte tempestade que atingiu a região. A montadora já anunciou a retomada parcial das operações produtivas no local e reativou os processos de fundição e usinagem do motor 1.5 que equipa o Yaris Cross.
Para manter a produção, a empresa passou a operar em uma nova planta construída do zero. Essa instalação só deve alcançar capacidade plena em 2028. No mesmo ano, a produção nacional do motor 2.0 Dynamic Force do Corolla será restabelecida localmente, segundo Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota.
O diretor também detalhou as ações do comitê de crise montado junto à matriz no Japão. Um treinamento realizado dias antes permitiu evacuar a fábrica em três minutos. Para evitar o desabastecimento da linha de montagem, quase 800 equipamentos foram recuperados; a montadora passou a importar temporariamente o propulsor 2.0 do sedã e alugou um galpão industrial para manter a montagem do bloco 1.5.
Com a transferência da produção do Corolla para Sorocaba (SP), a previsão de fabricação local do motor 2.0 a partir de 2028 dá pistas sobre os próximos passos da próxima geração do sedã no país. Embora a marca prepare opções com tecnologia híbrida plug-in de alta autonomia para o mercado global, a manutenção do propulsor flex tradicional garante atendimento aos clientes fiéis do modelo no Brasil.
A usinagem nacional do bloco 2.0 também abre espaço para a introdução da variante híbrida convencional (HEV) mais potente. No exterior, essa configuração entrega 184 cv combinados, valor que supera os 123 cv do atual 1.8 Flex.
Os projetos podem ser uma resposta estratégica da fabricante diante do avanço dos concorrentes chineses no mercado nacional. Os carros chineses dispararam no Brasil em 2026 e superam o crescimento geral do mercado, elevando a pressão por novas ofertas e ajustes nas linhas locais de produção.
Na prática, a retomada parcial em Porto Feliz, a construção da nova planta e a transferência de parte da produção para Sorocaba compõem um plano com horizonte em 2028. Esse cronograma traz implicações para a cadeia de fornecedores, para os volumes de produção doméstica e para a oferta de versões — flex e híbridas — voltadas ao consumidor brasileiro.
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