No frio, banhos mais quentes e longos elevam a carga do chuveiro. Segundo o eletricista Vóldi Costa Zambenedett, isso revela falhas que causam disjuntor desarmado, cheiro de queimado ou fios aquecendo.
A chegada do período mais frio costuma coincidir com relatos de chuveiros que derrubam o disjuntor, soltam cheiro de queimado ou esquentam a fiação com mais frequência. Embora pareça ligação direta com o frio, o ambiente mais frio não é, por si só, o responsável pelos defeitos.
O que muda, sobretudo, é a forma de uso do equipamento: a tendência é ajustar a temperatura para níveis mais altos e alongar o tempo do banho. Assim, o chuveiro passa a operar por períodos maiores em potência elevada, o que pode evidenciar problemas já existentes na instalação elétrica.
Segundo Vóldi Costa Zambenedetti, engenheiro eletricista e professor da Escola Politécnica da PUCPR, uma instalação corretamente dimensionada deve suportar essa condição. Quando há algum defeito oculto — em cabos, conexões, disjuntor ou outros componentes — o aumento de uso no inverno tende a tornar esse problema visível.
“O que acontece é que o chuveiro e a instalação elétrica passam a trabalhar mais tempo e em potência maior. Se existir algum problema oculto na instalação, é justamente nessa época que ele costuma aparecer”
Por isso é importante separar o efeito do frio do efeito da mudança de hábito. Temperatura ambiente mais baixa leva muitas pessoas a selecionar regulagens mais quentes e a demorar mais no banho. O frio, por si só, pode até ser favorável ao funcionamento de alguns equipamentos eletroeletrônicos; o que pesa mesmo é a maior exigência sobre o circuito.
Quando o usuário seleciona uma posição mais quente, a resistência interna do chuveiro passa a oferecer menor resistência elétrica naquele estágio. Mantida a mesma tensão da rede, isso permite maior passagem de corrente pela resistência e pelos cabos, elevando a potência absorvida e, conseqüentemente, o aquecimento da água.
Como exemplo numérico, chuveiros estão entre os aparelhos de maior potência numa residência: um modelo de 7.500 W ligado em 220 V demanda aproximadamente 34 A de corrente. Isso reforça a necessidade de que o circuito esteja dimensionado para suportar a corrente correspondente.
Um pouco de calor nas condutas é natural em função da passagem de corrente — é o chamado efeito Joule, quando parte da energia elétrica é dissipada em forma de calor. No chuveiro, esse efeito é aproveitado para aquecer a resistência e a água; nos fios e conexões, o calor gerado precisa permanecer dentro dos limites seguros para os componentes.
Banhos mais longos não elevam necessariamente a corrente com o passar dos minutos, mas estendem o tempo em que aquela corrente circula. Em uma instalação adequada, isso não deveria causar problema; quando há defeitos na fiação, porém, a situação pode se agravar justamente no inverno, quando o aparelho é mais exigido.

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