Candidato ao Senado alega que aliado estaria distribuindo material de campanha em favor de adversário do União Brasil; Luizão nega e diz ser alvo de perseguição interna.
A tensão nos bastidores do Partido Liberal (PL) em Sergipe atingiu um novo patamar nesta segunda-feira (28), a menos de uma semana do primeiro turno das Eleições 2026. O deputado federal e candidato ao Senado, Rodrigo Valadares (PL), utilizou suas redes sociais para lançar duras acusações contra Luizão Dona Trampi, candidato a deputado federal pela mesma legenda, aprofundando a crise interna que divide o partido no estado.
Em vídeo publicado na internet, Valmir afirmou ter ficado “chocado” ao se deparar com um “santinho” (material impresso de campanha) que trazia os nomes de Luizão e Flávio da Direita ao lado de Coronel Rocha e André Moura, candidato ao Senado pelo União Brasil e adversário direto de Rodrigo na disputa majoritária.
Segundo Rodrigo, a distribuição desse material teria ocorrido no último domingo (27), justamente durante a motocarreata que contou com a presença de Flávio Bolsonaro em Aracaju. O presidente estadual do PL acusou Luizão de trabalhar politicamente para André Moura com o objetivo de enfraquecê-lo e, futuramente, tomar o comando da sigla em Sergipe.
“Na verdade, essas pessoas estavam a serviço de André Moura”, disparou Rodrigo no vídeo, sem apresentar, contudo, provas de uma aliança formal entre os citados.
A resposta de Luizão: “Você não me taxa nunca de traidor”
Horas após a divulgação do vídeo, Luizão Dona Trampi veio a público para rebater frontalmente as acusações. Em vídeo resposta e em entrevistas à imprensa sergipana, o candidato a deputado federal negou veementemente a responsabilidade pela confecção e distribuição do material citado por Valadares.
De acordo com Luizão, o “santinho” com o nome de André Moura era de responsabilidade exclusiva de Flávio da Direita. Ele justificou que apenas auxiliou o aliado na produção gráfica, mas que a escolha dos candidatos que comporiam a peça não passou por sua aprovação.
Para comprovar sua versão, Luizão exibiu para a câmera o seu próprio material oficial de campanha, no qual Rodrigo Valadares consta, de fato, como seu candidato ao Senado.
“Você tem que pegar esse santinho aqui, que tem você na frente. Você não me taxa nunca de traidor nem de fazedor de conchavo”, rebateu Luizão.
O candidato a deputado federal aproveitou a oportunidade para expor insatisfações antigas com a liderança de Valadares. Luizão relatou que, ao longo dos anos, foi marginalizado em eventos ligados ao grupo político de Jair Bolsonaro e que, frequentemente, precisou recorrer a outros aliados para conseguir participar das programações oficiais do partido. Ele ainda afirmou que a presença da foto de Rodrigo em seus materiais oficiais estaria, inclusive, gerando rejeição por parte de alguns eleitores.
O embate público desta segunda-feira contraria o discurso de união que o próprio Rodrigo Valadares tentou emplacar no domingo e evidencia que as feridas do recente atrito ocorrido na cidade de Lagarto — quando o candidato ao Senado interrompeu abruptamente um discurso de Luizão — seguem abertas na reta final da disputa eleitoral.
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