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Mulheres da Amazônia criam rede de moda afro no Amapá

Iniciativa no Amapá transforma retalhos em renda e identidade: Instituto Zwanga já formou mais de 360 mulheres e amplia negócios locais.

03/10/2026 · 04h03 · Atualizado às 20h56
Mulheres da Amazônia criam rede de moda afro no Amapá

Rejane Soares criou em 2013 o Instituto Zwanga para qualificar mulheres pretas, pardas e periféricas. A equipe leva cursos de corte e costura a quilombolas e ribeirinhas, gerando renda e resgatando identidade.

Uma sacola de retalhos e um banco de praça deram início a uma trajetória que se transformou em rede de trabalho e impacto social no Amapá. Rejane Soares começou assim a marca de moda afro-amazônica que originou, em 2013, o Instituto Zwanga Impacto Social. A organização atua na qualificação e no fortalecimento de mulheres pretas, pardas e periféricas, inclusive em comunidades quilombolas e ribeirinhas da Amazônia.

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A metodologia do Instituto parte da escolha de levar a formação até os territórios, e não o contrário. É a equipe que entra nas comunidades para oferecer cursos e oficinas em corte e costura, tranças, maquiagem, biojoias e outros ofícios que podem virar fonte de renda. Ao final das ações, as participantes expõem e comercializam o que produziram dentro da própria localidade e recebem ferramentas para iniciar o trabalho.

Não somos mais um certificado que vai ficar empoeirado na gaveta. Elas recebem ferramentas para trabalhar e isso garante a continuidade do que aprenderam.

Rejane reuniu experiências pessoais e senso coletivo para moldar o projeto. Segunda filha de uma família formada por seis mulheres negras, ela cresceu observando cuidados mútuos e percebeu, ao começar a vender as próprias roupas, que outras mulheres enfrentavam as mesmas dificuldades para acessar mercados e espaços de trabalho.

Venho dessa relação de afeto feminino coletivo. Sempre observei como estavam as outras que vinham do mesmo cenário de escassez que eu e como poderia somar com o crescimento delas.

Quando a renda começa a circular dentro das próprias comunidades, o alcance da rede fica mais claro: uma mulher aprende um ofício, recebe ferramentas, conquista clientes e passa a comprar, vender e contratar perto de casa. Esse fluxo faz o recurso permanecer no território e abre caminho para outras iniciativas locais.

Isso é economia preta periférica. Isso é dinheiro na mão das mulheres negras. É uma revolução silenciosa e necessária.

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O impacto aparece antes mesmo da conclusão de alguns cursos: mães, filhas, tias e amigas espalham a notícia e potenciais clientes descobrem que não precisam mais sair da comunidade para contratar uma costureira, maquiadora ou trancista. Segundo Rejane, cerca de 70% das mais de 360 mulheres qualificadas conseguiram abrir seus próprios negócios, resultado acompanhado pelo Instituto por meio de uma rede que permanece ativa após as formações.

As transformações também chegam em relatos recebidos pela organização: mensagens sobre quem comprou uma geladeira com o próprio dinheiro, quem começou a trabalhar com costura no Carnaval, quem passou a pagar o cursinho dos filhos para tentar a faculdade e quem conquistou condições financeiras para deixar uma relação abusiva.

Quando você entende que faz parte de uma herança ancestral rica, passa a entender que muito do que é nosso também pode fazer parte do nosso negócio.

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Autoestima e identidade resgatadas são gente preta sendo parte real da economia.

Com metodologia estruturada e parcerias diversas, o Instituto buscou no Sebrae um aliado local para ampliar e fortalecer a atuação no Amapá. Desde então, segundo Rejane, a instituição tem acolhido projetos, contribuído para aprimorá-los e apontado novos caminhos que combinam negócio, impacto social e enfrentamento das desigualdades raciais.

O papel dos pequenos negócios no país é destacado como contexto desse trabalho. São mais de 24,19 milhões de CNPJs, o que representa mais de 96% das empresas ativas, responsáveis por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No total, atuam mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP).

A força desse segmento é celebrada de forma especial em 5 de outubro, no Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Em comemoração à data, o Sebrae promove a campanha Compre do Pequeno, que valoriza o papel desses empreendedores nas comunidades e na economia local.

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Rejane Soares criou em 2013 o Instituto Zwanga para qualificar mulheres pretas, pardas e periféricas. A equipe leva cursos de corte e costura a quilombolas e ribeirinhas, gerando renda e resgatando identidade.

Uma sacola de retalhos e um banco de praça deram início a uma trajetória que se transformou em rede de trabalho e impacto social no Amapá. Rejane Soares começou assim a marca de moda afro-amazônica que originou, em 2013, o Instituto Zwanga Impacto Social. A organização atua na qualificação e no fortalecimento de mulheres pretas, pardas e periféricas, inclusive em comunidades quilombolas e ribeirinhas da Amazônia.

A metodologia do Instituto parte da escolha de levar a formação até os territórios, e não o contrário. É a equipe que entra nas comunidades para oferecer cursos e oficinas em corte e costura, tranças, maquiagem, biojoias e outros ofícios que podem virar fonte de renda. Ao final das ações, as participantes expõem e comercializam o que produziram dentro da própria localidade e recebem ferramentas para iniciar o trabalho.

Não somos mais um certificado que vai ficar empoeirado na gaveta. Elas recebem ferramentas para trabalhar e isso garante a continuidade do que aprenderam.

Rejane reuniu experiências pessoais e senso coletivo para moldar o projeto. Segunda filha de uma família formada por seis mulheres negras, ela cresceu observando cuidados mútuos e percebeu, ao começar a vender as próprias roupas, que outras mulheres enfrentavam as mesmas dificuldades para acessar mercados e espaços de trabalho.

Venho dessa relação de afeto feminino coletivo. Sempre observei como estavam as outras que vinham do mesmo cenário de escassez que eu e como poderia somar com o crescimento delas.

Quando a renda começa a circular dentro das próprias comunidades, o alcance da rede fica mais claro: uma mulher aprende um ofício, recebe ferramentas, conquista clientes e passa a comprar, vender e contratar perto de casa. Esse fluxo faz o recurso permanecer no território e abre caminho para outras iniciativas locais.

Isso é economia preta periférica. Isso é dinheiro na mão das mulheres negras. É uma revolução silenciosa e necessária.

O impacto aparece antes mesmo da conclusão de alguns cursos: mães, filhas, tias e amigas espalham a notícia e potenciais clientes descobrem que não precisam mais sair da comunidade para contratar uma costureira, maquiadora ou trancista. Segundo Rejane, cerca de 70% das mais de 360 mulheres qualificadas conseguiram abrir seus próprios negócios, resultado acompanhado pelo Instituto por meio de uma rede que permanece ativa após as formações.

As transformações também chegam em relatos recebidos pela organização: mensagens sobre quem comprou uma geladeira com o próprio dinheiro, quem começou a trabalhar com costura no Carnaval, quem passou a pagar o cursinho dos filhos para tentar a faculdade e quem conquistou condições financeiras para deixar uma relação abusiva.

Quando você entende que faz parte de uma herança ancestral rica, passa a entender que muito do que é nosso também pode fazer parte do nosso negócio.

Autoestima e identidade resgatadas são gente preta sendo parte real da economia.

Com metodologia estruturada e parcerias diversas, o Instituto buscou no Sebrae um aliado local para ampliar e fortalecer a atuação no Amapá. Desde então, segundo Rejane, a instituição tem acolhido projetos, contribuído para aprimorá-los e apontado novos caminhos que combinam negócio, impacto social e enfrentamento das desigualdades raciais.

O papel dos pequenos negócios no país é destacado como contexto desse trabalho. São mais de 24,19 milhões de CNPJs, o que representa mais de 96% das empresas ativas, responsáveis por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No total, atuam mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP).

A força desse segmento é celebrada de forma especial em 5 de outubro, no Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Em comemoração à data, o Sebrae promove a campanha Compre do Pequeno, que valoriza o papel desses empreendedores nas comunidades e na economia local.

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