O Winamp anunciou parceria com a Deezer para lançar um serviço de assinatura premium integrado ao novo player. A Deezer fornecerá tecnologia white-label e catálogo global, sem redirecionar usuários ao app.
Quem cresceu com o computador no fim dos anos 1990 vai reconhecer a imagem do raio laranja, as skins e a lhama: o Winamp quer voltar ao centro da forma como se ouve música, mas agora com o modelo de negócio da era do streaming.
No fim de julho, o Winamp Group anunciou uma parceria estratégica com a Deezer. Pelo acordo, a plataforma francesa vai fornecer tecnologia de streaming em modelo white-label e seu catálogo global, permitindo que o Winamp lance um serviço de assinatura premium com marca própria, integrado ao novo player. O assinante não será direcionado para o aplicativo da Deezer: tudo acontecerá dentro do Winamp.
O novo Winamp Player está previsto para o primeiro semestre de 2027. A proposta é híbrida: o mesmo aplicativo deverá reunir o catálogo em streaming, a biblioteca local de arquivos do usuário, rádios online, podcasts e coleções guardadas na nuvem. Segundo a empresa, o player clássico para desktop ainda é usado ativamente por mais de 40 milhões de pessoas no mundo, e esse público também será alvo da nova assinatura.
Preço, mercados atendidos e dispositivos ainda não foram divulgados. Também não se sabe se o Brasil estará entre os primeiros países do lançamento.
A divisão de papéis favorece as duas partes: a Deezer amplia pontos de entrada para seu catálogo e infraestrutura; o Winamp aproveita sua marca reconhecida globalmente e uma base instalada fiel, sem precisar montar do zero uma operação de licenciamento e entrega de áudio. Há ainda um detalhe geográfico: ambas as empresas são europeias, com o Winamp sediado em Bruxelas e a Deezer em Paris.
Os números ilustram o desafio financeiro. O Winamp Group, listado na Euronext Growth de Paris e Bruxelas, registrou receita consolidada de 1,04 milhão de euros no primeiro semestre de 2026, abaixo dos 1,13 milhão de euros do mesmo período de 2025. Em 2025, então com o nome Llama Group, a companhia apontou prejuízo líquido de cerca de 6,9 milhões de euros. Ao longo de 2026, o grupo passou por reestruturação de dívidas e por aumentos de capital.
A mudança de nome para Winamp Group foi aprovada pelos acionistas em outubro de 2025, numa tentativa de alinhar o grupo à marca mais conhecida.
O retorno do Winamp não se limita ao player: o grupo vem ampliando serviços para artistas independentes. No primeiro semestre, a plataforma Winamp for Artists ganhou criador de sites, a Fanzone — espaço de apoio direto de fãs a artistas — e uma operação global de merchandising. Essas ferramentas se somam à distribuição, ao licenciamento e à gestão de direitos já oferecidos. Até o fim de 2025, a plataforma havia ultrapassado 75 mil artistas cadastrados.
Outra frente é a Bridger, empresa de gestão de direitos do grupo, que assinou dezenas de acordos com sociedades de gestão coletiva pelo mundo e começou a receber as primeiras receitas desses contratos. Em junho, a Jamendo, plataforma de licenciamento musical do grupo, abriu processos na Justiça federal americana contra a Nvidia e contra a Suno, uma das principais empresas de música gerada por inteligência artificial.
O ceticismo existe por motivos concretos: esta não é a primeira tentativa de retorno do Winamp, e um plano semelhante anunciado em 2018 não se concretizou. A dúvida é se o público estará disposto a pagar mais uma assinatura em um mercado já dominado por Spotify, Apple Music, YouTube Music e pela própria Deezer. A aposta do Winamp está em reunir, num só lugar, o catálogo em streaming e os arquivos locais de cada usuário. Se a nostalgia se converterá em assinaturas pagas, só será possível saber a partir de 2027. Os próximos resultados financeiros do grupo devem ser publicados em 30 de outubro de 2026.
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