Artistas do R&B surgidas na década de 2010 provam que talento e paciência valem a pena. Tinashe teve Popstar estreando em sexto lugar na Billboard 200; Kehlani e Jhené Aiko consolidam carreiras com lançamentos firmes.
A cultura norte-americana sempre teve apreço por histórias de azarões — no esporte, no cinema e também na música. No R&B contemporâneo, a trajetória de artistas reveladas na década de 2010 tem mostrado que talento e paciência podem acabar se encontrando, com resultados que confirmam investimentos a longo prazo.
Tinashe, de 33 anos, é o exemplo mais recente desse movimento. Neste domingo (4), ela conquistou seu primeiro top 10 no Billboard 200 com Popstar, lançado em setembro. O álbum estreou em sexto lugar e tem faixas de destaque como “Crash Out” e “Melatonin”. O trabalho evidencia o ouvido apurado e a versatilidade da cantora, que transita entre mundos sonoros, experimenta sequências de faixas pouco ortodoxas e insere letras com ironia sobre relacionamentos.
A artista já mostrava talento desde cedo: canta, dança e compõe, e teve visibilidade em 2014 com “2 On”, parceria com ScHoolboy Q, que chegou ao top 25 do Hot 100. Apesar do prestígio crítico de seu álbum de estreia, Aquarius, que estreou em 17º lugar no Billboard 200, a relação com a gravadora da época limitou projeção comercial. Depois de deixar a RCA, Tinashe trilhou um caminho independente, reconstruindo e ampliando sua base de fãs.
No período independente, “Nasty” (2024) marcou sua volta ao mainstream, chegando ao 61º lugar do Hot 100, e o destaque “No Broke Boys”, do álbum Quantum Baby (2024), ganhou força no ano seguinte após um remix do DJ Disco Lines, rendendo à cantora seu primeiro top 40 no Hot 100 desde “2 On”. Agora, com Popstar, a artista alcança um novo patamar de reconhecimento e longevidade na carreira.
Kehlani, de 31 anos, segue trajetória semelhante. Chegou ao R&B em 2015 com uma proposta crua e franca, consolidada desde a mixtape You Should Be Here. Ao longo da carreira, a cantora acumulou seguidores fiéis, turnês de impacto e colaborações relevantes — entre elas participações em faixas de Eminem e Cardi B — além de trabalhos como It Was Good Until It Wasn’t (2020).
As dúvidas sobre sua capacidade de emplacar um grande hit próprio foram respondidas em 2025 com “Folded”: um sucesso de R&B puro que alcançou o sexto lugar do Hot 100 e rendeu a Kehlani dois Grammys, nas categorias de Melhor Performance de R&B e Melhor Canção de R&B. O êxito mostrou que era possível obter reconhecimento amplo sem abrir mão da identidade artística.
Jhené Aiko, de 38 anos, é outro nome que exemplifica essa ascensão gradual. Presente no cenário da Costa Oeste desde participações com artistas do início dos anos 2000, ela ganhou projeção com a mixtape Sailing Soul(s) e consolidou uma assinatura vocal suave e direta. Entre seus maiores sucessos estão “The Worst” (2013), que atingiu o 43º lugar do Hot 100, e colaborações que chamaram atenção, como o verso em “Post to Be” (2015).
O terceiro álbum de Jhené, Chilombo, lançado no início da pandemia de Covid em 2020, representou até então seu maior sucesso comercial. As trajetórias de Tinashe, Kehlani e Jhené Aiko ilustram que, no R&B, persistência, consistência artística e oportunidades certas acabam por traduzir talento em resultados duradouros.

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