Cobertura de 2026 muda: debates ao vivo já não são obrigatórios. Regras rígidas, muitos candidatos e ausências esvaziam os confrontos, e emissoras reorganizam a grade.
A discussão sobre debates eleitorais volta a ganhar espaço na agenda da mídia em 2026, mas com tom de incerteza. O texto questiona se a política mudou ou se os políticos mudaram, e observa que, hoje, o confronto ao vivo na televisão deixou de ser a obrigação que já foi.
O colunista recorda um período em que o embate direto era tratado como regra e cita nomes que não fugiam ao “cara a cara”. Na avaliação apresentada, os debates do primeiro turno perderam parte do sentido por causa de regras rígidas, número elevado de participantes e ausências que esvaziam o confronto. E agora há sinais de que debates do segundo turno também sofrem com interesses, estratégias e conveniências que se sobrepõem à obrigação de se apresentar aos eleitores.
Houve tentativa de articulação entre emissoras para retomar debates mais amplos. Foi citada uma iniciativa do diretor do SBT, Leandro Cipoloni, para promover um encontro de todas as TVs e rediscutir a questão dos debates no segundo turno, mas o movimento não avançou.
No calendário apontado, o pool denominado “Momento da Decisão” — formado por SBT, CNN, RedeTV!, Jovem Pan e outros — segue marcado para o dia 15. Na mesma noite, está confirmada uma entrevista com Lula na bancada do “Jornal Nacional”, o que cria conflito entre pool em São Paulo e Globo no Rio. A Globo, por sua vez, confirmou debate para o dia 23 e aguarda respostas dos candidatos. Já na Record, há indicações de que a realização do debate foi abandonada: a movimentação está parada e não há escala de equipe providenciada.
Nos bastidores das televisões, a queixa principal é a desorganização das campanhas dos dois candidatos, apontados pelo texto como Flávio e Lula. Fontes ouvidas na coluna avaliam que nunca viram situação igual em termos de logística e coordenação.
Além da cobertura política, o mercado de conteúdo segue em transformação. Em rádio e plataformas FAST, emissoras dedicadas ao jornalismo colhem resultados crescentes. A BandNews FM, em São Paulo, registrou mais de 933 mil usuários únicos na soma de três plataformas e 1.606.986 sessões de reprodução durante a cobertura das eleições.
Na estrutura de canais, mudanças internas também foram relatadas: Cláudio Giordani não substituiu Paulo Saad na direção-geral dos canais da nova empresa (Newco) por conta da carga de trabalho; o interino apontado foi Marcelo Zeni, com passagem por ESPN. No SBT, o executivo Sergio Valente segue filtrando projetos de produção e programação, avaliando formatos e viabilidade comercial. O Upfront do SBT, marcado para este mês, ganhou o nome “SBTem”.
Na programação, a jornalista Poliana Abritta apresentará uma série de três episódios no “Fantástico” intitulada “Essa Tal de Adolescência”, com estreia no domingo.
Bate-Rebate
- Jovem Pan amplia sua rede de emissoras; uma nova afiliada entra no ar no dia 20 em São Luís do Maranhão.
- O próximo “Altas Horas”, do Serginho Groisman, será dedicado ao Dia das Crianças; convidados incluem Maria Clara, JP, ex-Paquitas e Priscilla, com plateia formada por crianças.
- TV Cultura celebra o Dia das Crianças de sábado até segunda-feira, com atrações como Tiquequê, Quintal do Interior, Ruth Rocha, Peixonauta e Brasil Jazz Sinfônica.
- O ator Otávio Augusto, sem confirmação em “Avenida Brasil 2”, passou dois dias em São Paulo gravando comercial.
- A MIPCOM 2026 começa na segunda-feira que vem e vai até o dia 15 em Cannes, com presença esperada de representantes de Globo, SBT, Record e Band.
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