No longa de Alejandro G. Iñárritu, Cruise surge irreconhecível como magnata do petróleo após um desastre ambiental. O filme divide público e crítica entre elogios à proposta e críticas à sátira e ao tom da mensagem.
Tom Cruise aparece irreconhecível em Digger, filme de Alejandro González Iñárritu que vem dividindo o público desde a estreia. A produção tem provocado reações contrastantes: enquanto parte da crítica e alguns especialistas elogiam a proposta, outros espectadores criticam a sátira e a forma como a mensagem é apresentada.
O roteiro acompanha Digger Rockwell (Tom Cruise), um magnata do petróleo entre as pessoas mais poderosas do mundo. A trama se desenrola após um desastre ambiental provocado pela empresa do protagonista, ameaça de proporções catastróficas que coloca o destino do planeta em risco. Determinado a evitar a tragédia e a preservar sua reputação, Digger inicia uma corrida contra o tempo para tentar se redimir e impedir o pior, em meio à negligência atribuída a líderes mundiais.
Grande parte da controvérsia gira em torno da sátira política que o longa propõe. Apesar de tratar de temas atuais e relevantes, muitos espectadores entendem que a alegoria se esgota rapidamente e que a narrativa perde fôlego. Outra crítica recorrente é o uso excessivo de metalinguagem e diálogos expositivos, que, segundo esses comentários, enfraquecem tanto a mensagem quanto o aspecto cômico da sátira.
Há também quem enxergue na obra traços de megalomania narrativa: elementos grandiosos que, para parte do público, não se justificam diante de uma estrutura que alguns consideram fragmentada e confusa. Mesmo a atuação de Tom Cruise — apontada por críticos como um dos pontos altos do filme — foi vista por parcela dos espectadores como caricata.
No campo comercial, Digger enfrentou números preocupantes. Com orçamento estimado em US$ 160 milhões, a estreia doméstica rendeu apenas US$ 8 milhões, totalizando US$ 20 milhões globalmente no primeiro final de semana. Esses números configuraram a pior abertura de um longa estrelado por Tom Cruise em quase 20 anos; a referência anterior é Leões e Cordeiros (2007), que estreou com US$ 6,7 milhões.
Considerando o boca a boca predominantemente negativo, já circulam projeções sobre o risco do filme se consolidar como um dos maiores fracassos de bilheteria de 2026 para a Warner Bros. Pictures. Resta acompanhar se o desempenho comercial e a recepção do público terão impacto nas chances de indicações e prêmios na próxima temporada de premiações.
Digger está em cartaz nos cinemas brasileiros, e a polarização entre elogios e críticas segue alimentando debates sobre o alcance e os limites da sátira cinematográfica contemporânea.

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