Tradição e festa tomaram as ruas de Laranjeiras neste domingo, com cantos, danças e cores que atraíram moradores e visitantes. A jornada começou às 4h, com bênçãos em terreiros e ato em frente à Igreja Matriz.
As ruas de Laranjeiras, município localizado a cerca de 20 quilômetros de Aracaju, foram tomadas neste domingo (11) por cores, cantos, danças e ancestralidade com a tradicional Festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos. Considerada uma das mais importantes manifestações da cultura popular sergipana, a celebração também é reconhecida como uma das maiores apresentações teatrais a céu aberto do Brasil.
A programação começou ainda de madrugada, às 4h. Ao longo da manhã, os brincantes percorrem as ruas, recebem a bênção em um terreiro e depois seguem para a frente da Igreja Matriz, onde também são abençoados pelo padre. A sequência de ritos, músicas e encenações mobiliza moradores e visitantes e transforma o centro histórico em palco de intensa atividade cultural.
“Me sinto laranjeirense. É muito bom perpetuar a cultura. É muito bom viver essa união entre a igreja e o povo de Deus”
O trecho acima foi dito pelo padre Cleberton Andrade durante as celebrações na cidade. A fala reforça a presença marcada da religião na festa e a articulação entre práticas religiosas e manifestações populares que marcam a tradição local.
Há mais de 160 anos, a cidade se transforma em palco de uma encenação que reúne os Lambe-Sujos, representantes dos negros escravizados, e os Caboclinhos, que representam os indígenas. A Festa dos Lambe-Sujos e Caboclinhos preserva personagens, símbolos, trajes e rituais que compõem a memória coletiva de Laranjeiras e da região.
A manifestação revive, de forma lúdica e teatral, conflitos do período colonial brasileiro, envolvendo a resistência dos negros que fugiam da escravidão e a atuação de indígenas mobilizados pelos senhores de engenho para perseguir e capturar os fugitivos. A dramatização articula elementos de dança, música e representação cênica para contar essa história transmitida de geração em geração.
Segundo a tradição, os Caboclinhos partem para o confronto após o sequestro de sua rainha pelos Lambe-Sujos. A narrativa conduz a disputa entre os grupos e dá vida a uma história marcada por rituais e símbolos que remetem tanto à resistência quanto às relações sociais do período colonial. A festa segue sendo um dos eventos mais aguardados no calendário cultural do município, atraindo público interessado em patrimônio imaterial e manifestações populares.

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