Lançada em 1996 e gravada em Aracaju, 'Milla' se tornou trilha de Carnavais e marcou os anos 1990. Escrita por Manno Góes, a canção consolidou a etapa solo de Netinho após sua saída da Banda Beijo.
Um dos maiores sucessos da carreira de Netinho, que morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, foi a faixa “Milla”. Lançada em 1996, a música se tornou trilha sonora de inúmeros Carnavais e virou um dos hinos do axé music nos anos 1990.
“Milla” integra o álbum “Netinho Ao Vivo” e foi gravada em Aracaju. A canção chegou três anos depois da saída do cantor da Banda Beijo, grupo com o qual ele estourou pelo país em 1988 com “Beijo na Boca”, e consolidou a carreira solo que Netinho vinha construindo.
A autoria de “Milla” é de Manno Góes. A letra retrata um romance de verão em cenário tropical, com clima de praia e paixão — elementos que marcaram o axé daquela época. Em entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo, em 2015, Manno relatou que a personagem que batiza a canção existiu de fato.
“Milla existiu realmente. Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata. Milla, hoje, é uma mulher que está super bem casada, feliz, com os filhos dela. Eu também estou super feliz, casado, com meus filhos. E tomara que essa música ainda embale muitos amores”.
Mar Grande, na Ilha de Itaparica, ficou registrada na letra como cenário do romance que inspirou a música. O arranjo leve e a temática de verão ajudaram a transformar “Milla” em uma presença constante em blocos, trios elétricos e festas de Carnaval por todo o país.
O sucesso de “Milla” atravessou gerações: só no Spotify a faixa soma 37 milhões de reproduções e segue entre as mais ouvidas de Netinho na plataforma. Além do impacto nacional, o cantor, nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, levou o axé para plateias fora do Brasil, com apresentações em países como Itália, Chile e Portugal.
Netinho tratava um linfoma não Hodgkin desde 2025, e a doença voltou em 2026. Ele estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, desde o fim de setembro. Por desejo do próprio Netinho, o velório e a cremação serão reservados a familiares e amigos próximos.
Enquanto a carreira de Netinho é lembrada por sucessos e pela presença marcante no Carnaval, a história de “Milla” permanece como exemplo de como uma canção simples sobre um amor de verão pode atravessar décadas, embalar festas e conservar presença no repertório popular.
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