Candidatos apresentam visões opostas na política externa: Lula aposta no Sul Global e na diversificação; Flávio prioriza aproximação com EUA, Israel e Argentina. Os planos dedicam capítulos ao tema.
Os planos de governo dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam propostas distintas para a política externa do Brasil. O documento do candidato do PT destaca o fortalecimento das relações com o Sul Global e defende estimular parcerias com todas as regiões do mundo. O plano do candidato do PL prioriza maior aproximação com Estados Unidos, Israel e Argentina.
Destaque na campanha de 2026, a política externa aparece em capítulos específicos dos dois planos: o documento de Lula ocupa quase seis páginas, enquanto o de Flávio reserva cerca de três.
“Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica. Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”
O trecho acima consta do documento do candidato do PT e resume a defesa da soberania combinada com uma política externa considerada por ele como universalista, capaz de diversificar parcerias comerciais e abrir mercados para bens e serviços brasileiros. O plano também afirma que investirá em novos acordos e na abertura de novos mercados para enfrentar agressões comerciais.
O documento do PT associa política externa e defesa nacional como dimensões complementares. Nele, são citadas medidas do atual mandato para fortalecer capacidades estratégicas. Segundo o texto, desde 2023 foram executados R$ 20,4 bilhões em projetos estratégicos, entregues 7 caças gripen F-39 — com a primeira aeronave produzida em solo brasileiro neste ano — adquiridos 3 cargueiros KC-390, em construção 4 fragatas (a primeira já em operação) e produzidas 226 viaturas blindadas.
O plano do PL relaciona soberania à ação prática e à atração de investimentos. Em trechos do documento do candidato do PL aparecem críticas à condução recente da política externa federal, especialmente em relação ao Irã, à Venezuela e a Israel.
“Nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia”
O trecho acima consta do texto do PL. O documento também afirma que não tratará como adversários parceiros tradicionais e cita a intenção de reverter rupturas recentes nas relações com países como Argentina, Estados Unidos e Israel.
“Não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais. Nos últimos anos, as relações com países como Argentina, EUA e Israel foram levadas ao limite do rompimento. Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil”
O plano do PL destaca ainda a intenção de incentivar tecnologias militares com foco em inovação, como drones e inteligência artificial, e diz que os investimentos nas Forças Armadas devem ser condizentes com a inserção do país em blocos e grupos internacionais.
O documento do PT enfatiza o aprofundamento das relações com o Sul Global, incluindo menção à ampliação da aproximação geopolítica com o Brics e a participação no G20, além do reforço das relações com a África.
G20
- União Europeia
- União Africana
- Estados Unidos
- França
- Alemanha
- Japão
- Coreia do Sul
Brics
- Rússia
- Índia
- China
- África do Sul
- Arábia Saudita
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Etiópia
- Indonésia
- Irã
Em vários trechos, os dois planos estabelecem prioridades distintas: o candidato do PT aponta para diversificação de mercados e fortalecimento de laços com países do Hemisfério Sul; o candidato do PL privilegia aproximações com aliados tradicionais e ênfase em interesses econômicos imediatos. Os documentos descrevem ainda entendimentos diferentes sobre o papel do Brasil em crises internacionais e sobre o vínculo entre política externa e capacidade de defesa.

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