Aos 87 anos, lotou o Nubank Parque com 51 mil fãs em 2h30 de samba, rock, funk, soul e groove. O público celebrou e se emocionou quando ele mudou a letra de 'Alcohol' e chorou ao final.
Jorge Ben Jor levou 51 mil pessoas ao Nubank Parque, em São Paulo, neste sábado (17), em uma apresentação de duas horas e meia que misturou samba, rock, funk, soul e groove. Aos 87 anos, o artista apresentou o show único “Alquimia Popular Brasileira”, com ingressos esgotados, e dividiu momentos de emoção e festa com o público.
“Eu gosto tanto de vocês, p*”
A fala acima foi dirigida ao estádio no fim de “Alcohol”, quando o cantor trocou o verso original e teve lágrimas visíveis por baixo dos óculos escuros. A abertura do espetáculo começou com um pedido de licença para tocar e cantar, seguido por projeções que transformaram uma lua em São Jorge montado em cavalo durante “Jorge da Capadócia”.
Na companhia da Banda do Zé Pretinho, o repertório incluiu medleys e sucessos que atravessam gerações. Entre as músicas tocadas estiveram “Mas, Que Nada!”, “País Tropical”, “Taj Mahal”, “Fio Maravilha” e “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)”, canções presentes em festas e celebrações pelo país.
O disco “A Tábua de Esmeralda” (1974), apontado como o álbum da alquimia na obra do cantor, foi destaque no set. Antes de executar “Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar”, Jorge contou que tirou a ideia de um livro sobre um alquimista que passava noites em claro no laboratório vigiando o forno e pensando na mulher amada. Em “Errare Humanum Est”, o estádio respondeu acendendo as lanternas dos celulares.
“Eles são discretos / E silenciosos / Moram bem longe dos homens / Escolhem com carinho / A hora e o tempo / Do seu precioso trabalho”
Trecho da letra de “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas” foi cantado com o público, reforçando o paralelo entre a paciência e o cuidado atribuídos aos alquimistas e o processo criativo do artista. O show também trouxe “Do Leme ao Pontal” e “W/Brasil (Chama o Síndico)”.
Um dos momentos mais marcantes foi quando Jorge liberou os dançarinos negros para descer e dançar enquanto pronunciava “África Brasil”, dando visibilidade à presença e à alegria do corpo negro na cena. No fim da noite, 51 mil vozes cantaram “Taj Mahal” ao uníssono, com convidados no palco como Samuel Rosa, Rael, Baby do Brasil, Simoninha e Rappin’ Hood, que celebraram juntos a performance.
Além do repertório e das participações, a escolha da data teve simbologia: 17 de outubro é o Dia Nacional da MPB, e o título do espetáculo brincou com essa sigla, referindo-se à música popular brasileira, gênero ao qual Jorge Ben Jor é frequentemente associado.
O show deixou registro da capacidade do artista de reunir plateias diversas, misturar referências sonoras e criar um espetáculo que alternou emoção e festa, reafirmando sua trajetória e a presença de suas canções na memória coletiva do país.
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