Usuários gratuitos e do AI Plus perderam acesso à versão Pro dos modelos Gemini. A mudança gerou frustração entre assinantes; a empresa ainda não comentou oficialmente.
O Google mudou drasticamente os planos de inteligência artificial: o acesso à variante Pro dos modelos Gemini ficou restrito aos níveis AI Pro e AI Ultra. Com isso, contas gratuitas e assinantes do plano AI Plus — apontado como o mais barato entre as opções da empresa — não conseguem mais usar as versões mais avançadas da tecnologia.
A alteração gerou frustração entre assinantes que conseguiam, mesmo com limites menores, executar tarefas mais complexas usando a variante Pro. A empresa não comentou oficialmente a decisão, limitando-se a informar que as variantes Flash-Lite e Flash serão disponibilizadas “para oferecer velocidade e inteligência”.
Uma das explicações para a medida é a tentativa de controlar os gastos computacionais. Modelos como o Gemini 4 Argon realizam tarefas muito complexas, mas exigem grande capacidade de hardware e infraestrutura nos data centers. Reduzir o número de usuários com acesso a essas variantes é, segundo observadores do setor, uma forma de conter o consumo.
Além do controle de uso, a versão Pro passou a ser um benefício exclusivo de planos mais caros: o Google AI Pro custa a partir de R$ 96,99 por mês e o Google AI Ultra a partir de R$ 779,90 por mês. O plano AI Plus ficou restrito ao uso das variantes Flash-Lite e Flash.
O funcionamento dos limites também mudou ao longo de 2026. Antes havia uma quantidade fixa de comandos; agora o sistema passa a cobrar limites com base no uso computacional. Ao atingir o teto do plano, é necessário aguardar cinco horas até que as franquias sejam restauradas. Ajustes desse tipo vêm se tornando padrão no mercado de IA para lidar com prompts que acionam agentes autônomos e tarefas prolongadas.
Analistas apontam que a estratégia pode refletir um reposicionamento comercial: atrair usuários com ofertas mais acessíveis e depois ajustar benefícios para migrar parte dessa base para planos pagos mais caros. O diretor acadêmico da FIAP, John Paul Lima, comentou sobre essa dinâmica:
“Primeiro tenta popularizar a ferramenta, então coloca valores mais baixos de investimento do usuário. Depois de um tempo, disponibiliza novos modelos, faz downgrade de alguns mais simples e incentiva o usuário que realmente usa a ferramenta a pagar mais caro por outros modelos”.
John Paul Lima, diretor acadêmico da FIAP
“A gente assina um contrato e o contrato diz que eles podem fazer essas movimentações. Isso acaba, de certa maneira, prejudicando um pouco a experiência do usuário”.
John Paul Lima, diretor acadêmico da FIAP
Curiosamente, a página de suporte da empresa indica que contas gratuitas podem, em alguns casos específicos, usar a variante Pro:
“Prompts que exigem raciocínio aprofundado podem usar o Flash ou o Pro”.
Os novos termos começaram a valer no dia 09 de outubro para novos assinantes e mudam a partir de 13 de novembro para assinaturas mais antigas. Segundo as regras atuais, cada plano terá acesso limitado às variantes indicadas — Pro apenas para AI Pro e AI Ultra, enquanto AI Plus e contas gratuitas ficam restritas às versões Flash-Lite e Flash, salvo exceções apontadas pela página de suporte.
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