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Entretenimento

Arctic Monkeys viralizaram online em 2006 e transformaram a indústria musical

A ascensão do Arctic Monkeys em 2005-2006 mostrou como demos e MySpace impulsionaram uma carreira que redefiniu a relação entre bandas e público.

25/10/2026 · 18h09
Arctic Monkeys viralizaram online em 2006 e transformaram a indústria musical

Uma série de reportagens revive a explosão do quarteto britânico em 2006, quando demos e clipes nas redes aceleraram a carreira. A frase 'Don't believe the hype', dita por Alex Turner, virou selo do fenômeno.

Uma série de listas e reportagens publica uma homenagem à música de 20 anos atrás, e nesta edição da Semana de 2006 o foco voltou para a ascensão meteórica do Arctic Monkeys, fenômeno dos primeiros anos da era das redes sociais que mudou a forma como bandas alcançavam o público.

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Tudo começou, como conta a própria narrativa do período, com quatro palavras que se tornaram emblemáticas: “Don’t believe the hype”. A frase foi dita por Alex Turner durante a gravação do clipe de estreia da banda, “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, em 2005, em tom despreocupado, quando o grupo já caminhava para um sucesso maior do que imaginava.

“Don’t believe the hype.”

O ponto de partida para essa viralização no rock moderno foi a circulação rápida de demos e gravações caseiras. O Arctic Monkeys, formado por amigos de escola no underground de Sheffield no início dos anos 2000, foi um dos primeiros a usar o potencial da internet para chegar diretamente ao público. Em outubro de 2005, mês do lançamento oficial de “Dancefloor…”, a banda já havia esgotado os ingressos do London Astoria, casa com capacidade para 2.000 pessoas.

O sucesso inicial veio por meio de divulgação boca a boca. Sem contrato, os integrantes distribuíam CDs de demos em shows em pubs de Sheffield. Fãs copiaram esses CDs e começaram a compartilhar as gravações na plataforma MySpace e em blogs. Segundo reportagem da época, estimava-se que mais de 140 gravações diferentes de apresentações ao vivo do Arctic Monkeys circulavam pela internet em meados de 2005.

As influências do grupo iam do hip-hop ao britpop e garage rock, com admiração declarada por artistas como Roots Manuva. Essa mistura soava original e se refletia no nome inusitado, nas letras que retratavam o cotidiano jovem de Sheffield e no uso de linguagem coloquial. O conjunto chamou a atenção do selo independente Domino Records, que assinou com a banda.

“I Bet You Look Good on the Dancefloor” chegou ao primeiro lugar da parada britânica de singles, ficou seis semanas consecutivas entre as dez primeiras posições e tornou-se presença constante nas rádios alternativas e de rock do Reino Unido. Em janeiro de 2006 saiu o primeiro álbum, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”. A maioria das faixas já circulava gratuitamente na internet antes do lançamento oficial, mas o disco ainda assim vendeu mais de 360 mil cópias na primeira semana, tornando-se um dos estreias mais rápidas nas paradas britânicas.

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O álbum conquistou o Mercury Prize e vários BRIT Awards, recebeu indicação ao Grammy de melhor álbum de música alternativa, enquanto “Dancefloor” concorreu na categoria de melhor canção de rock, ampliando o alcance do grupo além do Reino Unido. Nesta semana, a faixa ocupou a 12ª posição na lista das 100 melhores músicas de 2006 elaborada por equipe editorial especializada.

Sobre a disseminação online, Anton Brookes, então assessor de imprensa do Arctic Monkeys, afirmou que tudo foi impulsionado pelos fãs entusiasmados e que a nova tecnologia acelerou esse processo.

“Tudo foi impulsionado por fãs entusiasmados.”

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O próprio vocalista comentou na época que o impacto da atenção parecia menor para o grupo do que para o público e que talvez só anos depois eles entendessem o fenômeno.

“[O hype] não parece tão grande para nós quanto as pessoas talvez imaginem.”

Duas décadas depois, a trajetória do Arctic Monkeys permanece referência sobre como a internet pode transferir poder para os ouvintes e ajudar artistas independentes a romper barreiras na indústria musical.

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Uma série de reportagens revive a explosão do quarteto britânico em 2006, quando demos e clipes nas redes aceleraram a carreira. A frase 'Don't believe the hype', dita por Alex Turner, virou selo do fenômeno.

Uma série de listas e reportagens publica uma homenagem à música de 20 anos atrás, e nesta edição da Semana de 2006 o foco voltou para a ascensão meteórica do Arctic Monkeys, fenômeno dos primeiros anos da era das redes sociais que mudou a forma como bandas alcançavam o público.

Tudo começou, como conta a própria narrativa do período, com quatro palavras que se tornaram emblemáticas: “Don’t believe the hype”. A frase foi dita por Alex Turner durante a gravação do clipe de estreia da banda, “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, em 2005, em tom despreocupado, quando o grupo já caminhava para um sucesso maior do que imaginava.

“Don’t believe the hype.”

O ponto de partida para essa viralização no rock moderno foi a circulação rápida de demos e gravações caseiras. O Arctic Monkeys, formado por amigos de escola no underground de Sheffield no início dos anos 2000, foi um dos primeiros a usar o potencial da internet para chegar diretamente ao público. Em outubro de 2005, mês do lançamento oficial de “Dancefloor…”, a banda já havia esgotado os ingressos do London Astoria, casa com capacidade para 2.000 pessoas.

O sucesso inicial veio por meio de divulgação boca a boca. Sem contrato, os integrantes distribuíam CDs de demos em shows em pubs de Sheffield. Fãs copiaram esses CDs e começaram a compartilhar as gravações na plataforma MySpace e em blogs. Segundo reportagem da época, estimava-se que mais de 140 gravações diferentes de apresentações ao vivo do Arctic Monkeys circulavam pela internet em meados de 2005.

As influências do grupo iam do hip-hop ao britpop e garage rock, com admiração declarada por artistas como Roots Manuva. Essa mistura soava original e se refletia no nome inusitado, nas letras que retratavam o cotidiano jovem de Sheffield e no uso de linguagem coloquial. O conjunto chamou a atenção do selo independente Domino Records, que assinou com a banda.

“I Bet You Look Good on the Dancefloor” chegou ao primeiro lugar da parada britânica de singles, ficou seis semanas consecutivas entre as dez primeiras posições e tornou-se presença constante nas rádios alternativas e de rock do Reino Unido. Em janeiro de 2006 saiu o primeiro álbum, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”. A maioria das faixas já circulava gratuitamente na internet antes do lançamento oficial, mas o disco ainda assim vendeu mais de 360 mil cópias na primeira semana, tornando-se um dos estreias mais rápidas nas paradas britânicas.

O álbum conquistou o Mercury Prize e vários BRIT Awards, recebeu indicação ao Grammy de melhor álbum de música alternativa, enquanto “Dancefloor” concorreu na categoria de melhor canção de rock, ampliando o alcance do grupo além do Reino Unido. Nesta semana, a faixa ocupou a 12ª posição na lista das 100 melhores músicas de 2006 elaborada por equipe editorial especializada.

Sobre a disseminação online, Anton Brookes, então assessor de imprensa do Arctic Monkeys, afirmou que tudo foi impulsionado pelos fãs entusiasmados e que a nova tecnologia acelerou esse processo.

“Tudo foi impulsionado por fãs entusiasmados.”

O próprio vocalista comentou na época que o impacto da atenção parecia menor para o grupo do que para o público e que talvez só anos depois eles entendessem o fenômeno.

“[O hype] não parece tão grande para nós quanto as pessoas talvez imaginem.”

Duas décadas depois, a trajetória do Arctic Monkeys permanece referência sobre como a internet pode transferir poder para os ouvintes e ajudar artistas independentes a romper barreiras na indústria musical.

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