A banda britânica celebrou 50 anos com a turnê 'Run for Your Lives' em noite de clássicos e surpresas no Nubank Parque. O público vibrou, mas a apresentação mostrou perda de velocidade e precisão em trechos.
O Iron Maiden voltou a São Paulo no domingo (25) com a turnê “Run for Your Lives”, criada para celebrar os 50 anos da banda britânica. Diante de um Nubank Parque lotado, o grupo alternou clássicos como “The Number of the Beast”, “Run to the Hills” e “Hallowed Be Thy Name” com escolhas menos previsíveis, como “Infinite Dreams”, que não integrava os setlists havia muitos anos.
A apresentação reafirmou a força do repertório e a conexão com o público brasileiro, mas também expôs dificuldades em manter a velocidade e a precisão exigidas por algumas composições que ajudaram a definir o heavy metal. O show foi pensado tanto para quem acompanha a banda desde os tempos do ex-vocalista Paul Di’Anno (1958-2024) quanto para quem reconheceu o Maiden pelos hinos de arena.
O repertório percorreu oito álbuns, de “Iron Maiden” (1980) a “Fear of the Dark” (1992), com destaque para faixas de “Killers”, “Powerslave” e “Seventh Son of a Seventh Son”. A seleção privilegiou o período em que o grupo consolidou a identidade que o transformaria em uma das maiores referências do metal.
Antes da atração principal, o Alter Bridge abriu a noite. O quarteto norte-americano subiu ao palco após uma introdução que começou às 19h10, com Myles Kennedy puxando o riff de “Silent Divide”. O grupo — formado por Kennedy (voz e guitarra), Mark Tremonti (guitarra), Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria) — apresentou oito músicas, entre elas “Addicted to Pain”, “Cry of Achilles”, “Fortress”, “Metalingus”, “Blackbird” e “Isolation”.
“boa noite”
A tentativa de aproximação em português foi simpática, mas a recepção do público foi moderada: a plateia parecia economizar energia para o Iron Maiden. O Alter Bridge encerrou sua participação às 20h02, após apresentação tecnicamente sólida, ainda que prejudicada pela distância entre o entusiasmo da banda e o interesse do público presente.
Quando a introdução para o Iron Maiden começou, ficou claro que a noite pertencia à atração principal. Um vídeo no telão, acompanhado por “The Ides of March”, apresentou ilustrações remetendo aos primeiros anos da banda, e “Murders in the Rue Morgue” abriu o repertório efetivo. Em algumas faixas, o andamento mais contido reduziu o frenesi das gravações originais, especialmente em trechos que dependem de velocidade e urgência.
Depois de “Killers”, houve interação mais longa com a plateia; Dickinson disse que o Brasil ocupa lugar próximo ao coração da banda, provocando coro de “Bruce, Bruce”. A movimentação na pista premium também trouxe episódios de tensão: em duas ocasiões, fãs avançaram pela multidão, empurrando quem já ocupava o espaço. Em um desses episódios, uma família foi atingida e uma mulher reagiu com socos contra um dos responsáveis pelos empurrões. Em contraste, um fã fantasiado como Eddie, na versão soldado, circulou e tirou fotos sem provocar tumulto.
O repertório seguiu com “Wrathchild”, “Phantom of the Opera” e “The Number of the Beast”. Dickinson explicou a recuperação de “Infinite Dreams”, apontada como destaque por não ser executada havia muitos anos. Em “2 Minutes to Midnight” o andamento mais controlado aproximou a versão ao vivo da gravação de estúdio.
“It’s cachaça time”
A brincadeira do vocalista — que simulou beber cachaça, mas tomou água — antecedeu “Rime of the Ancient Mariner”. Em faixas como essa e “Run to the Hills” as linhas rítmicas ganharam cadência que reforçou a sensação de peso. No entanto, músicas finais como “Iron Maiden” e “Aces High”, no bis, soaram mais lentas em relação às versões clássicas, com pequenos desencontros entre instrumental e voz.
Aos 68 anos e cerca de uma década após superar um câncer, Dickinson mostrou fôlego e técnica, sustentando notas longas em “Seventh Son of a Seventh Son” e arrancando aplausos. A apresentação misturou momentos de força e proximidade com o público e sinais de que alguns elementos do repertório exigem ajustes para manter a mesma intensidade dos registros originais.
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