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Turismo de observação em Caravelas impulsiona proteção às jubartes

Turismo de observação em Abrolhos impulsiona renda em Caravelas e ajuda a proteger as baleias-jubarte; regras e capacitações orientam a atividade.

03/11/2026 · 09h29
Turismo de observação em Caravelas impulsiona proteção às jubartes

Desde menino em Ponta de Areia, Paulo Salomão virou guia e lidera passeios para ver baleias em Caravelas. A atividade protege as jubartes e movimenta a economia local com emprego e renda.

Desde a infância em Ponta de Areia, distrito de Caravelas (BA), Paulo Salomão acompanhou o pai nas saídas ao mar. Era início da década de 1980 e os arredores do Arquipélago de Abrolhos já mostravam grande riqueza marinha. Com apenas 6 anos, ele começava a ganhar experiência em alto-mar, apesar do enjoo intenso que sentia nas embarcações.

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“Só que eu mareava muito, muito, muito. Eu ficava jogado no chão do convés da embarcação e falava comigo mesmo que eu nunca ia conseguir trabalhar no mar. Mas eu gostava tanto, que fui insistindo e acabei acostumando”.

Aos 18 anos, Paulo fez curso de piloto de embarcação oferecido pela Marinha. Porém, mudanças de proteção ambiental no arquipélago — com a criação do Parque Marinho dos Abrolhos em 1983 e regras subsequentes que proibiram a pesca naquela área — levaram-no a apostar no turismo náutico e no mergulho em vez da pesca.

O primeiro barco do capitão recebeu o nome de Teimoso. Hoje, ele possui quatro embarcações, incluindo uma de grande porte com camas para 50 pessoas, e emprega 10 trabalhadores. Além de transportar mergulhadores para ver peixes, tartarugas e corais, o crescimento do negócio se firmou sobretudo pela presença das baleias-jubarte.

“Há uns dez anos, o maior fluxo de pessoas passou a ser em julho e agosto. Hoje só agosto, que é o pico, ganha dos três meses de verão. Todo mundo vem pra ver as baleias.”

Abrolhos é conhecida como grande maternidade das baleias-jubarte. As jubartes percorrem cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica, onde se alimentam, até as águas mais quentes do arquipélago no sul da Bahia para acasalar e ter filhotes. O fenômeno gera impacto direto na economia local com o turismo de observação durante meses que antes não eram movimentados.

“Muitas pessoas, que antes tinham outras profissões, hoje são marinheiros e estão trabalhando na área”, conta Paulo.

“Antes a gente só contava com o verão, era só uma temporada que a gente tinha. Com o aumento da população de baleias, a gente passou a contar com fluxo de pessoas no inverno também. E é um dinheiro a mais que circula no município”, ele acrescenta.

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A população de baleias-jubarte no Brasil cresceu de menos de 2 mil indivíduos no início da década de 1990 para cerca de 35 mil, conforme estimativa do Instituto Baleia Jubarte em 2022. Três fatores centrais são apontados para essa recuperação:

Fatores centrais para o aumento

  • Proibição da caça (1987) — fim da caça de baleias no país.
  • Criação do Parque Marinho dos Abrolhos — proteção da área de reprodução.
  • Surgimento de grupos de pesquisa e preservação — com destaque para o Instituto Baleia Jubarte, criado em 1988 e que se institucionalizou há exatamente 30 anos, com apoio da Petrobras.

O diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte, Eduardo Camargo, avalia que o turismo de observação é uma ferramenta de preservação por agregar valor econômico à baleia viva e possibilitar convivência entre a atividade humana e o ciclo natural dos animais.

“Não tem como falar, ‘agora as baleias vão passar, então ninguém vai pro mar nesses meses’. O que precisa é regular isso de uma forma que não seja prejudicial para elas, mas também não ignore que você tem pessoas vivendo ali. É uma forma de criar uma renda limpa, quando ela é bem feita”.

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Operadores do turismo náutico devem seguir normas da Marinha e do Ministério do Meio Ambiente. Uma portaria publicada em agosto deste ano determina, entre outras regras, que os barcos mantenham distância mínima de 100 metros das baleias; que o tempo máximo de permanência seja de 60 minutos, ou 30 minutos no caso de fêmeas com filhotes; e que apenas duas embarcações se aproximem dos animais por vez. Também é proibida qualquer tentativa de toque, captura, perseguição ou cerco que obrigue mudança de deslocamento das jubartes.

A fiscalização das normas cabe ao poder público, mas o Instituto Baleia Jubarte mantém parcerias com municípios para capacitar trabalhadores do setor. Segundo Eduardo Camargo, o instituto debate as regras anualmente, incorpora novos participantes e concede um selo — o selo de Amigo da Baleia — apenas a quem realiza a capacitação.

“A gente debate, apresenta as regras. Todos os anos, agrega pessoas novas, então sempre tem que voltar atrás e lembrar tudo de novo. Algumas localidades implantaram um selo de responsabilidade e fizeram um acordo de cooperação com o Instituto. Então, só ganha o selo de Amigo da Baleia quem faz a capacitação”.

Para comunidades como Caravelas, o turismo de observação das jubartes representa uma alternativa econômica alinhada à conservação: rende trabalho e renda nos meses de passagem das baleias, enquanto reforça a necessidade de regras e fiscalização para preservar o ciclo reprodutivo das espécies em Abrolhos.

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Desde menino em Ponta de Areia, Paulo Salomão virou guia e lidera passeios para ver baleias em Caravelas. A atividade protege as jubartes e movimenta a economia local com emprego e renda.

Desde a infância em Ponta de Areia, distrito de Caravelas (BA), Paulo Salomão acompanhou o pai nas saídas ao mar. Era início da década de 1980 e os arredores do Arquipélago de Abrolhos já mostravam grande riqueza marinha. Com apenas 6 anos, ele começava a ganhar experiência em alto-mar, apesar do enjoo intenso que sentia nas embarcações.

“Só que eu mareava muito, muito, muito. Eu ficava jogado no chão do convés da embarcação e falava comigo mesmo que eu nunca ia conseguir trabalhar no mar. Mas eu gostava tanto, que fui insistindo e acabei acostumando”.

Aos 18 anos, Paulo fez curso de piloto de embarcação oferecido pela Marinha. Porém, mudanças de proteção ambiental no arquipélago — com a criação do Parque Marinho dos Abrolhos em 1983 e regras subsequentes que proibiram a pesca naquela área — levaram-no a apostar no turismo náutico e no mergulho em vez da pesca.

O primeiro barco do capitão recebeu o nome de Teimoso. Hoje, ele possui quatro embarcações, incluindo uma de grande porte com camas para 50 pessoas, e emprega 10 trabalhadores. Além de transportar mergulhadores para ver peixes, tartarugas e corais, o crescimento do negócio se firmou sobretudo pela presença das baleias-jubarte.

“Há uns dez anos, o maior fluxo de pessoas passou a ser em julho e agosto. Hoje só agosto, que é o pico, ganha dos três meses de verão. Todo mundo vem pra ver as baleias.”

Abrolhos é conhecida como grande maternidade das baleias-jubarte. As jubartes percorrem cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica, onde se alimentam, até as águas mais quentes do arquipélago no sul da Bahia para acasalar e ter filhotes. O fenômeno gera impacto direto na economia local com o turismo de observação durante meses que antes não eram movimentados.

“Muitas pessoas, que antes tinham outras profissões, hoje são marinheiros e estão trabalhando na área”, conta Paulo.

“Antes a gente só contava com o verão, era só uma temporada que a gente tinha. Com o aumento da população de baleias, a gente passou a contar com fluxo de pessoas no inverno também. E é um dinheiro a mais que circula no município”, ele acrescenta.

A população de baleias-jubarte no Brasil cresceu de menos de 2 mil indivíduos no início da década de 1990 para cerca de 35 mil, conforme estimativa do Instituto Baleia Jubarte em 2022. Três fatores centrais são apontados para essa recuperação:

Fatores centrais para o aumento

  • Proibição da caça (1987) — fim da caça de baleias no país.
  • Criação do Parque Marinho dos Abrolhos — proteção da área de reprodução.
  • Surgimento de grupos de pesquisa e preservação — com destaque para o Instituto Baleia Jubarte, criado em 1988 e que se institucionalizou há exatamente 30 anos, com apoio da Petrobras.

O diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte, Eduardo Camargo, avalia que o turismo de observação é uma ferramenta de preservação por agregar valor econômico à baleia viva e possibilitar convivência entre a atividade humana e o ciclo natural dos animais.

“Não tem como falar, ‘agora as baleias vão passar, então ninguém vai pro mar nesses meses’. O que precisa é regular isso de uma forma que não seja prejudicial para elas, mas também não ignore que você tem pessoas vivendo ali. É uma forma de criar uma renda limpa, quando ela é bem feita”.

Operadores do turismo náutico devem seguir normas da Marinha e do Ministério do Meio Ambiente. Uma portaria publicada em agosto deste ano determina, entre outras regras, que os barcos mantenham distância mínima de 100 metros das baleias; que o tempo máximo de permanência seja de 60 minutos, ou 30 minutos no caso de fêmeas com filhotes; e que apenas duas embarcações se aproximem dos animais por vez. Também é proibida qualquer tentativa de toque, captura, perseguição ou cerco que obrigue mudança de deslocamento das jubartes.

A fiscalização das normas cabe ao poder público, mas o Instituto Baleia Jubarte mantém parcerias com municípios para capacitar trabalhadores do setor. Segundo Eduardo Camargo, o instituto debate as regras anualmente, incorpora novos participantes e concede um selo — o selo de Amigo da Baleia — apenas a quem realiza a capacitação.

“A gente debate, apresenta as regras. Todos os anos, agrega pessoas novas, então sempre tem que voltar atrás e lembrar tudo de novo. Algumas localidades implantaram um selo de responsabilidade e fizeram um acordo de cooperação com o Instituto. Então, só ganha o selo de Amigo da Baleia quem faz a capacitação”.

Para comunidades como Caravelas, o turismo de observação das jubartes representa uma alternativa econômica alinhada à conservação: rende trabalho e renda nos meses de passagem das baleias, enquanto reforça a necessidade de regras e fiscalização para preservar o ciclo reprodutivo das espécies em Abrolhos.

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