O Kannalha subiu ao palco do Rock the Mountain, em Petrópolis (RJ), no sábado (31), acompanhado por uma equipe numerosa da Bahia: balé de oito pessoas, seis percussionistas e banda. Nos bastidores, antes do show, o cantor avaliou a nova estrutura como resultado do empenho na carreira.
“É fruto de muito trabalho” e “uma colheita maravilhosa” para o pagodão baiano.
O artista recordou como eram os primeiros passos em festivais: no primeiro evento em que participou, ele estava apenas com a banda, com pouca gente porque alguns músicos não puderam viajar, e contava com um único produtor. Com o crescimento, passou a viajar com balé, segurança e o que chamou de “família de trabalho”.
“Eu poder estar aqui com um balé de oito pessoas, poder estar com o meu segurança, coisas básicas assim, mas de estar trazendo toda a família junto, é uma bênção na minha vida. Agradeço muito a Deus e aos orixás por isso.”
Ao explicar a composição da equipe, o cantor relacionou o tamanho do grupo à sonoridade que pretende oferecer ao público. Ele ressaltou a influência baiana e africana no som, com ênfase na percussão, justificando a presença de seis percussionistas no palco.
“A nossa sonoridade é baiana, é africana, é tambor, é percussão, é zoada.”
“Então é muito pesado o som do pagodão.”
O Kannalha também defendeu a origem e a identidade do gênero, dizendo que a intenção era apresentar “um pagodão puro, verdadeiro, de periferia, da favela”, na forma que, segundo ele, costuma ser alvo de críticas. Em seguida, comentou a reação que esse som provoca.
“[Um pagodão] daquele jeito que a gente olha para a gente e vê aquele preto mexendo no meio e que incomoda.”
Apesar da estrutura maior nos shows, o cantor afirmou que mantém a humildade e o respeito às referências baianas que o influenciaram. Ele disse que ainda precisa “bater cabeça” com quem veio antes, especialmente dentro do pagode, para consolidar seu lugar.
“Eu sempre vou baixar a cabeça e colocar o pé no chão: a Bahia é onde, para mim, estão grandes artistas, e os maiores que eu posso olhar e falar ‘cara, é daqui da Bahia’.”
O artista acredita ter aberto portas nas apresentações anteriores e afirmou esperar o mesmo resultado no festival em que se apresentou, lembrando que o pagode já marcou presença em edições anteriores com outro nome do gênero.
“Espero que aqui seja diferente, de poder vir a nova geração também, porque o pagode já esteve presente nesse festival com o Márcio.”
“Feliz demais, gratidão a Deus e aos orixás, e venha o sonho.”
No campo musical, O Kannalha vinha de uma fase de lançamentos. Em outubro, depois de semanas de mistério nas redes sobre um suposto “empreendimento” de café, ele lançou o single “Café PQG”, um pagodão baiano que abriu uma nova etapa de músicas e serviu como preparo para a temporada de verão. O nome é a abreviação de “preto, quente e gostoso” e a faixa mistura humor, ousadia e a identidade popular que acompanha a carreira do cantor. A ação promocional havia começado no início de setembro, com um apagão nas redes e divulgação de conteúdos enigmáticos sobre o suposto negócio, usando o conceito do café como metáfora para apresentar esse universo.
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