O Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) informou nesta quinta-feira (2) que um casal de pastores, já investigado por homicídio, foi condenado em primeira instância por submeter adolescentes e jovens a condições análogas à escravidão em atividades vinculadas à igreja que fundaram em Aracaju.
Segundo o MPT-SE, os religiosos recrutavam as vítimas como supostos voluntários, mas as obrigavam a trabalhar sem salário ou recebendo quantias irrisórias. Os jovens eram submetidos a jornadas exaustivas catando latinhas, vendendo alimentos nas ruas e realizando serviços domésticos. Relatos de tortura física e psicológica também foram registrados.
A sentença, proferida pela 6ª Vara do Trabalho da capital sergipana, determinou o pagamento de R$ 1 milhão por dano moral coletivo, além de indenizações individuais para duas vítimas diretamente envolvidas.
Processo criminal em paralelo
Paralelamente à condenação trabalhista, o casal responde na esfera criminal pelo assassinato de uma mulher de 35 anos, ocorrido em 3 de julho de 2020, no conjunto Marivan, bairro Santa Maria, em Aracaju. O julgamento, que também envolve o filho do casal e a irmã da vítima, teve início na quarta-feira (1) no Fórum Gumersindo Bessa.
As investigações apontam que a vítima foi espancada, morta e teve o corpo levado no carro de um dos pastores até o interior de Alagoas, onde foi queimado e enterrado em um canavial. A Polícia Civil apurou que a ocultação contou com a participação dos dois filhos do casal, um deles menor de idade.
Após o crime, os acusados fugiram para Riachuelo (SE) e, em seguida, para Birigui (SP). Eles foram localizados e presos em fevereiro de 2022, em Araçatuba (SP), durante operação conjunta da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), 9ª Delegacia Metropolitana, Divisão de Inteligência (Dipol) e Polícia Civil paulista.
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